13 de outubro de 2016

Desafio: Rugendas teve seu batuque de 1835 plagiado?

Hoje, estava eu finalizando um artigo sobre o Batuque e ao buscar ilustrações deparei-me com algo realmente intrigante.

Inicialmente, apreciemos a primeira figura abaixo, de Johann Moritz Rugendas, pintor alemão que esteve no Brasil entre 1822 e 1825. A gravura, com a legenda "DANSE BATUCA", consta na página 362 do livro “Voyage Pittoresque dans le Brésil”, publicado em 1835. É interessante notar nitidamente a vegetação que inclui araucárias, cuja distribuição geográfica atingia boa parte do território brasileiro, notadamente ao sul, embora também existisse, por exemplo, em Minas Gerais. Como bem observado por meu marido Deni, biólogo, o tipo das araucárias retratadas não parece dos espécimens do sul do país, que têm tronco mais robusto, e o perfil arquitetônico do casarão também sugere que a localização retratada na gravura seria mais compatível com São Paulo ou Minas Gerais do que com os estados do sul. 






Pois bem, agora, notemos a segunda figura abaixo, ela consta em fontes que a apontam como um batuque no Rio de Janeiro, e em outras fontes que a registram como um recorte de uma partitura datada de provavelmente 1859 ou 1869, representando o candombe em Montevidéu, e que estaria na publicação "Tango un siglo de historia 1880/1980". Não consta que em sua expedição Rugendas tenha passado por Montevidéu.


Segunda figura
Fontes: veja ao final da postagem.


Analisando as duas imagens juntas, a primeira com uma faixa recortada, é possível perceber notável semelhança em alguns detalhes e visível alteração de outros:




Ao que parece, a segunda é uma cópia adulterada da primeira, em que fisionomias, traços faciais e até os trajes são modificados, alguns personagens foram excluídos, mas outros encontram-se nas mesmas posições e são muito parecidos aos da primeira figura. A segunda figura também é mais pobre em detalhes.

O desafio é descobrir qual a fonte original desta segunda figura, uma vez que a primeira de fato consta na página 362 do livro “Voyage Pittoresque dans le Brésil”, publicado em 1835.

Vejamos o que novos capítulos e descobertas nos revelam...




Fontes que apresentam a segunda gravura discutida nesta postagem:

http://santango.tumblr.com/page/721
http://arnoldogualino.blogspot.com.br/2013/12/tango-dia-del-tango-11-de-diciembre.html
http://losfardos.blogspot.com.br/2013/12/neglito-usta-flamenquito-zi-el.html
http://www.aimdigital.com.ar/2014/04/10/candombe-y-algo-mas/
http://cienciassocialessxxi.blogspot.com.br/
http://www.escuelapadrejose.com.ar/vg/Libro-Fede-2011.pdf
http://www.omerfreixa.com.ar/nota-publicada-en-revista-quilombo/
http://www.itacaproject.com/icci-revista/01/Artigo_JRibeiro_VF.pdf
https://revistalatinoamericano.wordpress.com/2014/05/08/el-jazz-y-su-influencia-en-america-latina/
http://lexicoon.org/es/candombe
https://eltanguerodechile.cl/historia/
http://www.mdzol.com/nota/518025-confirman-las-raices-negras-del-tango/
http://caocultura.com/villancicos-de-negros/
http://alenarterevista.net/el-tango-una-historia-a-traves-del-baile-por-amando-carabias/
http://www.argentino.com.ar/tango-de-buenos-aires-F1407C1011BD8
http://www.haroldalvaradotenorio.com/ensayos/amado_entre_gabriela_dona_flor2.html
http://www.tangocity.com/tangopedia/4849/Los-Negros-y-el-Tango.html
https://elojocondientes.com/2012/08/05/oscar-chamosa-en-la-argentina-el-discurso-de-la-nacionalidad-siempre-se-baso-en-el-mito-de-nacion-blanca/
https://bibliapobre.wordpress.com/2012/03/
http://www.francemusique.fr/emission/balades-latino-americaines/2014-ete/le-rio-de-la-plata-entre-montevideo-et-buenos-aires-08-09-2014-14-00-0
http://originsofsambainrio.blogs.wm.edu/files/2015/03/WP-slave-batuque-painting2.jpg
https://milongalola.com/2016/08/24/early-history-of-tango/
http://compagniecambalache.com/pdf/disletango.pdf
http://tamboursbattants.com/danses-creoles-vu-par-les-colons/
http://www.cueilleurs-de-notes.fr/culture/culture-musicale/danses-des-annees-30-130/28
http://www.amazing-holland.nl/assets/carnaval_english.pdf
http://la-danse.over-blog.com/article-petit-historique-52466965.html
http://en.academic.ru/dic.nsf/enwiki/24091
http://www.riocarnival.net/rio-carnival/history
http://www.wuacademia.org/cours-danse-tango.html
http://epo.wikitrans.net/Johann_Moritz_Rugendas
http://escaped.livejournal.com/239554.html

3 de outubro de 2016

Sentidos do Barroco

http://www.sescsp.org.br/aulas/103263_SENTIDOS+DO+BARROCO+OUTRAS+DIRECOES+OUTRAS+LOGICAS+OUTROS+GESTOS

http://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/atividade/sentidos-do-barroco-outras-direcoes-outras-logicas-outros-gestos


Programa


Tradução em Libras disponível. Faça sua solicitação no ato da inscrição, com no mínimo dois dias de antecedência da atividade.O que entendemos por “barroco”? Este Ciclo investiga a apropriação deste conceito, dialogando com diversas áreas do conhecimento, em diferentes contextos, e enfatizando-o na cultura brasileira.

A programação integra o Festival FranceDanse 2016 em parceria com: Institut français, Embaixada da França, Secretaria Municipal da Cultura de São Paulo, Cooperativa Paulista de Dança e Sesc SP.
No Centro de Pesquisa e Formação do Sesc acontecerão as palestras e as conferências dançadas e no Centro de Referência da Dança as oficinas práticas de dança barroca e o grupo de estudo.

23/09, sexta
14h às 16h - BARROCO, NEOBARROCO E OUTRAS RUÍNAS
Repensando o termo barroco, contextualizando e tensionando outras leituras.
Com João Adolfo Hansen

17h às 17h30 - APRESENTAÇÃO DE VIOLINO BARROCO E CRAVO
O repertório inclui obras que exploram a formação em duo e sua combinação de timbres, desde o século XVII europeu até o século XX brasileiro.
Com Raquel Aranha e Osny Fonseca

24/09, sábado
14h às 16h - AS DANÇAS POPULARES NO BRASIL
Amálgamas, apropriações, tensões e transformações entre cultura “popular” e “erudita”.
Com Marianna Monteiro e Maria Lucia Montes

17h às 18h - CONFERÊNCIA DANÇADA 1:  Primeira lição de dança e o mestre de dança
Aula prática que apresentará referências históricas e princípios técnicos básicos da dança barroca francesa.
Com Béatrice Massin, Clara Couto, Raquel Aranha, Osny Fonseca e Isabel Kanji

30/09, sexta
14h às 16h - O GESTO DANÇANTE: TERRITÓRIOS, MATRIZES, MIGRAÇÕES
Diálogos e contrastes gestuais: pensamentos sobre o corpo que revisitam os séculos XVII, XVIII e XIX, no Brasil e na França.
Com Béatrice Massin e Antonio Nóbrega

17h às 17h30 - APRESENTAÇÃO DE VIOLINO BARROCO E CRAVO
O repertório inclui obras que exploram a formação em duo e sua combinação de timbres, desde o século XVII europeu até o século XX brasileiro.
Com Raquel Aranha e Osny Fonseca

01/10, sábado
14h às 16h - A CORTE PORTUGUESA E SEUS ESPETÁCULOS NO BRASIL 
Webconferência. Qual o impacto dos espetáculos da corte na (re)elaboração das representações cênicas, a partir do século XIX?
Com Rosana Marreco Orsini Brescia 
Com Maristela Zamoner

17h às 18h - CONFERÊNCIA DANÇADA 2: O que nos informa a notação Beauchamp-Feuillet? 
Aula prática que apresentará referências históricas e princípios técnicos básicos da dança barroca francesa.
Com Béatrice Massin, Clara Couto, Raquel Aranha, Osny Fonseca e Isabel Kanji

07/10, sexta
14h às 16h - SONORIDADES BARROCAS: UM DIÁLOGO ENTRE BRASIL E FRANÇA
É possível um diálogo entre a música apoteótica do barroco francês e a eloquente música sacra do Brasil colonial?
Com Luis Otavio Santos e Béatrice Massin
17h às 17h30 - APRESENTAÇÃO DE VIOLINO BARROCO E CRAVO
O repertório inclui obras que exploram a formação em duo e sua combinação de timbres, desde o século XVII europeu até o século XX brasileiro.
Com Raquel Aranha e Osny Fonseca

08/10, sábado
14h às 16h - O ESPAÇO BARROCO E SUAS DOBRAS
Arquiteturas que reinventam espaços e gestos. Gestos que reinventam arquiteturas e espaços.
Com Rodrigo Almeida Bastos e Percival Tirapeli

17h às 18h - CONFERÊNCIA DANÇADA: A musicalidade do espaço
Aula prática que apresentará referências históricas e princípios técnicos básicos da dança barroca francesa.
Com Béatrice Massin, Clara Couto, Raquel Aranha, Osny Fonseca e Isabel Kanji

Direção geral: Ana Teixeira.
Concepção: Ana Teixeira, Clara Couto, Osny Fonseca e Raquel Aranha.
Coordenação: Ana Teixeira, Clara Couto, Marianna Monteiro, Osny Fonseca e Raquel Aranha.

Produção: Cena Cult Produções

As inscrições pela internet podem ser realizadas até um dia antes do início da atividade. Após esse período, caso ainda haja vagas, é possível se inscrever pessoalmente em todas as unidades. Após o início da atividade não é possível realizar inscrição.

(Ilustração: Postal ilustrado do sec. XVIII com cena galante - Cascais )


Palestrantes

João Adolfo Hansen

Professor titular (aposentado) do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH/USP.
(Foto: Acervo Pessoal).

Marianna Monteiro

Atriz e professora do curso de Artes Cênicas do IA/ Unesp.
(Foto: Acervo Pessoal)

Maria Lucia Montes

Doutora em Ciência Política pela USP/ FFLCH.
(Foto: Acervo Pessoal)

Béatrice Massin

Professora, coreógrafa e especialista em dança barroca. Fundadora da Compagnie Fêtes Galantes (FR).
(Foto: Luc Barrovecchio)

Antonio Nóbrega

Artista, dedicado à pesquisa, à prática e ao estudo das manifestações populares brasileiras.
(Foto: Walter Carvalho)

Percival Tirapeli

Artista plástico, pesquisador e professor titular de História da Arte Brasileira na UNESP.
(Foto: Manoel Nunes)

Osny Fonseca

Cravista, regente, educador musical e dançarino barroco.
(Foto: Bruno Schultze)

Raquel Aranha

Violinista, dançarina barroca e mestre em Música pela UNICAMP.
(Foto: Acervo Pessoal)

Ana Teixeira

Professora de História do Corpo na Dança pela PUC/SP.
(Foto: Sílvia Machado)

Rodrigo Almeida Bastos

Arquiteto urbanista, engenheiro e professor do Dep. de Arquitetura e Urbanismo da UFSC.
(Foto: Acervo Pessoal)

Rosana Marreco Orsini Brescia

Doutora em História e Ciências Musicais pelas universidades Sorbonne – Paris IV e Nova de Lisboa.
(Foto: Acervo Pessoal)

Clara Couto

Bailarina, educadora e mestre em História pela FFLCH/USP.
(Foto: Acervo Pessoal)

Isabel Kanji

Cravista, camerista e professora de piano na Emesp.
(Foto: Acervo Pessoal)

Luis Otavio Santos

Violinista, maestro e doutor em Música  pela UNICAMP. Coordenador do Núcleo de Música Antiga da EMESP-Tom Jobim.
(Foto: Kiko Ferrite)

Maristela Zamoner

Pesquisadora independente em dança de salão, autora de livros, publicações científicas e artigos em periódicos da mídia especializada. Pós-graduada em Educação, História e Antropologia.
(Foto: Gabriel Cecon)

SAIBA MAIS AQUI

5 de agosto de 2016

Felipe Neri de Almeida, mestre de dança no Rio de Janeiro - ano de 1768

Em 1768 chega ao Brasil, no Rio de Janeiro, o mestre de dança Felipe Neri de Almeida,  com apenas 22 anos de idade. 

Em algumas fontes consta ter vindo de Lisboa, entretanto, em uma genealogia de família encontrei informações sobre Felipe Neri de Almeida segundo as quais ele teria nascido em Cunha, São Paulo, no ano de 1743, o que se aproxima da possibilidade de ter chegado ao Rio de Janeiro próximo aos 22 anos, talvez com 25 anos, no ano de 1768 em que sua mãe faleceu na cidade de Cunha.

O batizado de Neri consta ter ocorrido em 12 de maio de 1743 na Igreja Matriz de Cunha. Foi o sexto de dez filhos do casamento datado de 1733, ou 1734, entre Nicolau Monteiro da Silva (1710, Albufeira, Distrito de Faro, Algrave, Portugal - 1757, Cunha, São Paulo) e Florência da Silva Bicudo (1719, Cunha, São Paulo - 1768, Cunha, São Paulo).

Em 17 de outubro de 1793 o Marques de Pontes de Lima, presidente do Real Erário da Capitania de Minas Gerais, ordena que seja feito pagamento ao Padre Felipe Néri de Almeida, referente a serviços como vigário na Freguesia de São José da Barra Longa.


No século XVIII havia também no Rio vários profissionais de artes cênicas, entre eles, em 1794, um dançarino de nome Antônio da Cunha e em 1775 outro profissional de nome Manoel Luiz Ferreira atuava como empresário, músico e bailarino.

Gradativamente mais fontes documentais vêm sendo disponibilizadas, permitindo a ampliação dos conhecimentos sobre a história da dança de salão no Brasil!


Fontes:

http://www.siaapm.cultura.mg.gov.br/acervo/fundos_colecoes/SC/INVENTARIO_DO_FUNDO_SECRETARIA_DE_GOVERNO_DA_CAPITANIA_SG.pdf
Cavalcanti, Nireu O (2003). O Rio de Janeiro setecentista: A vida e a construção da cidade da invasão francesa até a chegada da Corte (Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor Ltda).
De Oliveira Veloso, A História de Cunha, 2010, pp 229; Ortman, Genealogia Guaratiguetaense, Anu. Genea. Latino, V4, 1952, pp 397; Marcondes de Moura, Os Galvão de França, v2, 1972, pp 572
http://www.marcelobarbio.net.br/pafg522.htm

4 de agosto de 2016

Mestre de dança Pedro Maria Colonna pede ao governador do reino para vir ao Brasil em 1809

A digitalização de documentos vem favorecendo as pesquisas, mas ocorre também ao seu tempo. Pedro Maria Colonna solicita ao príncipe regente D. João, em 1809, para ter seus ordenados de 1808 pagos e vir ao Brasil. Há nova solicitação em 1810, desta vez ao governador do reino D. Miguel Pereira Forjaz Coutinho na Fragata Carlota. É possível cogitar que seu pedido de 1809 foi rejeitado e o de 1810 também, pois não há indícios de que tenha aportado no Rio de Janeiro à bordo da Fragata Carlota.

O que foi possível levantar é que seu nome "Pedro Maria Colona" consta no periódico brasileiro O Patriota, no ano de 1813, em uma lista de "Subscritores á segunda Assignatura de Patriota".

O nome Pietro Colonna (175?-181?) consta em fontes portuguesas como mestre de dança com atuação para a corte da rainha em datas mais remotas, como dançarino em 1767 e como mestre de dança do príncipe em 1775. Em 1780 passou a coreógrafo da corte. Provavelmente, veio de Gênova, na Itália, seu país de origem.

Esperamos ter acesso no futuro a documentos que contarão mais alguns capítulos sobre esta parte da história da dança de salão no Brasil...





Outra questão interessante sobre Colonna é trazida no livro abaixo:



O que se pode entender é que Pedro Maria Colonna, ou Pietro Colonna, era o mestre de dança da família Real no Brasil em 1813...




Fontes:

  • Brito, Manuel Carlos de. Opera in Portugal in the Eighteenth Century. Cambridge University Press, 2007
  • Pinheiro, Ligia Ravenna. YES, VIRGINIA, ANOTHER BALLO TRAGICO: THE NATIONAL LIBRARY OF PORTUGAL’S BALLET D’ACTION LIBRETTI FROM THE FIRST HALF OF THE NINETEENTH CENTURY. Dissertação. Program in Dance Studies The Ohio State University, 2015.
  • http://www.italianopera.org/compositori/M/c219534.htm



2 de agosto de 2016

Livro: FIGURAÇÕES DO RITMO: Da Sala de Cinema ao Salão de Baile

Livro: FIGURAÇÕES DO RITMO: Da Sala de Cinema ao Salão de Baile

Entre meados dos anos 1930 e meados dos anos 1950, uma nova centralidade redesenhou a fisionomia urbana de São Paulo, através de um crescimento demográfico vertiginoso, dando à cidade traços de uma grande metrópole e consolidando-a como maior centro industrial da América Latina. Para estudar este período, Francisco Rocha elege como tema central de sua obra a importância dos salões de baile e das salas de cinema nesse desenvolvimento urbano, expondo a influência do jazz americano na formação de grupos de música que animavam bailes e boates na capital paulista e tocavam nas emissoras de rádio e a partir de 1950 na televisão, como as orquestras de Georges Henry, Osmar Milani, Sylvio Mazuca, Luiz Arruda Paes e Zezinho da TV. Sobre o cinema, aborda como seu advento em São Paulo promoveu essa nova centralidade, baseada na expansão do centro, e simbolizou a invenção da São Paulo moderna. 

Fonte do texto: http://www.edusp.com.br/detlivro.asp?id=413070



Autor: Francisco Rocha
ISBN 10: 85-314-1307-9
ISBN 13: 978-85-314-1307-0
Formato: 15,5x22,5 cm
Nº de Páginas: 312 pp.
Peso: 470 g


Adquira AQUI

4 de junho de 2016

LANÇAMENTO VIRTUAL: Dança de salão, uma força civilizatriz

Seja bem vindo!!!

Em LANÇAMENTO VIRTUAL, trazemos hoje mais um livro que dá continuidade à proposta da Comfauna, de disponibilizar bibliografias publicadas em conformidade com a legislação brasileira e de livre acesso.


"Dança de salão, uma força civilizatriz", resulta dos últimos anos de pesquisa da autora, Maristela Zamoner. Trazendo um histórico sobre as iniciativas escritas da humanidade em favor do bom trato interpessoal em diferentes culturas, permeado por momentos distintos nas vivências em dança, desemboca na tese que propõe a compreensão da prática da dança de salão como potencial paradigma transformador individual a favor das boas relações entre homens, mulheres e até mesmo nações.

Clique na figura e baixe o livro para seu acervo particular.



Autor: Maristela Zamoner
Ano: 2016
Número de páginas: 100
ISBN: 978-85-66017-03-8
Editado por: Comfauna
Prefácio: Keyla Barros
Edição em PDF

30 de abril de 2016

Mês das mamães...

Este mês o artigo que enviei ao Jornal Falando de Dança foi dedicado à minha irmã, Marilia, exemplo de dama no salão e de mulher na vida, que espera pelas últimas semanas a vinda da pequena Beatriz...



20 de abril de 2016

Dança de possessão

Continuando o trabalho já desenvolvido há seis anos na coluna Dança & Comportamento da Revista Dança em Pauta, trazemos este mês o artigo Dança de possessão, vindo diretamente da pista.


17 de abril de 2016

Evento trará Valdeci de Souza à Curitiba

Independente de qualquer fator, sempre é nosso dever reconhecer, e principalmente incentivar, boas iniciativas.

É o caso do evento Sambamaníacos Edição CWB 2016. A realização é de Tatiana Asinelli e Thacy Mainardes e o convidado especial é Valdeci de Souza, um profissional de muitos talentos, grande cavalheiro, brilhante professor! Que seja bem vindo mais uma vez à Curitiba!

Parabéns à Tatiana e Thacy pela escolha do convidado especial e pela realização do evento! Que venha todo o sucesso!!!

5 de janeiro de 2016

DANCE+online oferece aulas pela internet




Antigamente, para que fosse possível assistir uma aula de dança, era necessário um professor presente fisicamente. Por séculos funcionou desta forma, os anúncios de jornais que datam do século XIX no Brasil revelam esta realidade que se manteve como única alternativa até recentemente.

Conforme a tecnologia avançou, a gravação de aulas passou a ser possível e a venda de materiais gravados, como fitas e mais tarde DVDs começou a aparecer. Agora as facilidades progrediram ainda mais e já existem aulas disponíveis pela internet.



Uma das iniciativas mais recentes é de Maycon Santos e Francine Borges, casal proprietário do Studio de Dança Dois Pra Lá Dois Pra Cá, na cidade de Joinville, em Santa Catarina.

O projeto "DANCE+online", de vídeo-aulas pela internet, é desenvolvido há 3 anos e foi lançado em dezembro de 2015. Nas palavras de Francine:


O projeto consiste em vídeo-aula de 8 ritmos da dança de salão, do nível Básico ao Avançado. Neste lançamento colocamos à disposição o Nível Básico, que consiste em 88 vídeo-aulas dos ritmos bolero, forró, samba de gafieira, valsa, soltinho, tango, zouk e sertanejo universitário.


Saiba mais AQUI.





9 de novembro de 2015

Milton Saldanha: "Velhinhos e jovens na dança"

Milton Saldanha, editor e jornalista responsável pelo Jornal Dance (São Paulo) tem uma longa história de vivência, observação e crítica no âmbito da dança. Seus textos fazem pensar, quebram paradigmas, e em certos casos, nos estapeiam produtivamente.

Este mês tive o prazer de ler seu artigo "Velhinhos e jovens na dança", publicado na página 6 da atual edição do Jornal Falando de Dança (Rio de Janeiro). O texto não deixa de mostrar algo da vida de forma mais ampla, vai além de um salão, e muito delicada e inteligentemente atribui a todos o seu devido valor. 

Entristece saber que tão poucas pessoas neste meio dediquem algum tempo para ler. A leitura transforma, renova, e textos assim são capazes de desafiar pensamentos perigosos que nos assolam por medo ou insegurança, como vários outros escritos por Milton. 

Confira AQUI, página 6.

13 de outubro de 2015

Dia mundial do escritor

Dizem que hoje é o dia mundial do escritor. Isto me fez refletir sobre várias coisas. Lembro de meu pai, escritor brilhante, falando sobre como este mundo de quem escreve é restrito a poucos que "se entre leem". Sim, ele está certo. No momento em que vivemos e produzimos escrevendo, temos alguma necessidade de avaliar a utilidade e a qualidade do que fazemos até para nos aprimorarmos. Isto, feliz ou infelizmente, precisa ser feito a partir da opinião de outras pessoas, que por sua vez tem o direito de não ler o que não quiserem ler. Entre as que leem, um grupo naturalmente muito seleto e creio eu composto em sua maioria por outros escritores, deseja-se que encontrem-se as pessoas capacitadas a avaliar o que é escrito de forma isenta.

Quando a questão é científica, não é raro que o escritor seja um solitário pesquisador ou parte de um grupo pequeno, logo, dificilmente alguém outro estaria plenamente habilitado a julgar este trabalho. Aqui desenvolveram-se recursos como os periódicos científicos arbitrados que, com todas as falhas do sistema, diminuem este problema. Em outros âmbitos tudo é ainda mais complicado.

Vivemos em um país que não valoriza leitura, portanto, a solidão do escritor é acentuada culturalmente por estas terras. As pessoas não estão habituadas a ler. Os profissionais também não estão. Muito do que já se produziu em conhecimento, leva tempo para chegar a uma aplicação por falta de leitura. E o escritor continua assistindo e escrevendo...

Depois das redes sociais pudemos apreciar como a falta de leitura é assustadora. As postagens mais apreciadas e viralizadas são visuais. Aquilo que precisa ser lido atinge pouca gente. Postagens de links vindos de blogs tem mais "curtições" nas redes sociais do que número de acessos ao blog. E o escritor continua assistindo e escrevendo...

O tempo vai passando e funcionando como uma peneira. Se no momento atual um texto é disponibilizado, fica ao acesso de um determinado número de pessoas, com o passar dos anos, a quantidade de pessoas que o leem aumenta e então começa uma seleção. O que é útil ou bom é citado, reproduzido (as vezes sem nem citar o autor), usado, o resto... desaparece.

E o escritor continua assistindo e escrevendo...



9 de outubro de 2015

Quem é você na Dança de Salão?

A Dança de Salão provoca reações misteriosas em nós. Acredito que a maior parte das pessoas não se da conta da extensão de seu poder, da influência sobre nossa autoestima e, naturalmente, sobre nosso comportamento. Cada um a seu modo estabelece um tipo de relação com esta arte.

Alguns, ao conhecê-la assumindo certa desenvoltura, começam a ter da dança algo que de certa forma preenche algum vazio. Outros, desfrutam do gozo da dança em si como um prazer mais íntimo. E ainda existem muitas outras formas de ter a dança em nossas vidas.

Seja como for que estejamos neste cenário, é sempre bom que tenhamos ciência sobre o que acontece conosco, para que possamos estar no controle respeitando o palco, o salão e, especialmente, nosso par.

Abaixo seguem algumas perguntas que tem como única finalidade favorecer uma reflexão, o que pode ajudar na autoconsciência e posicionamento realista diante de si mesmo. Ao ler as perguntas e suas alternativas "a" e "b", pode ocorrer de não haver uma resposta certa, precisa para nosso caso. Então, é bom escolher a alternativa que mais se aproxima do que sentimos. O ideal é ler a pergunta e as alternativas sem responder imediatamente. Será um bom exercício, a cada pergunta, tentar lembrar de situações correlatas que vivemos, dos sentimentos verdadeiros que tivemos em cada uma delas para então responder.




1. Você se considera um dançarino exemplar?

a. (  ) sim
b. (  ) não

2. Quando você dança em um salão, procura notar se alguém está observando sua dança?

a. (  ) sim
b. (  ) não

3. Se ocasionalmente você está em um salão e percebe que alguém está admirando sua dança, você fica mais atento para fazer movimentos bonitos?

a. (  ) sim
b. (  ) não

4. Imagine por um momento a sua melhor dança, na qual você tem o melhor desempenho. Você preferiria desfrutar dela compartilhando com outras pessoas que tenham a oportunidade de vê-la ou preferiria vivê-la com seu par preferido em qualquer lugar?

a. (  ) compartilhar com outras pessoas além do meu par
b. (  ) desfrutá-la com meu par preferido em qualquer lugar

5. Ao longo de uma dança, em um salão, você consegue manter a atenção em seu par durante toda a dança, ou em alguns momentos se distrai com vontade de fazer movimentos apreciáveis?

a. (  ) as vezes me distraio fazendo movimentos que me parecem apreciáveis
b. (  ) mantenho a atenção em meu par durante toda a dança

6. Quando você procura aprender movimentos novos, pensa primeiro em um movimento divertido ou pensa primeiro se o movimento é bonito?

a. (  ) penso primeiro se o movimento é bonito
b. (  ) penso primeiro se meu par ficaria feliz com o movimento novo

7. Caso você adore fazer determinado movimento e seu par preferido o deteste, você deixa de fazer o movimento que você gosta muito para não chatear seu par ou você pensa que seu par também tem que fazer sua parte para você fazer o que gosta?

a. (  ) as vezes faço o que gosto porque acho que meu par preferido pode me entender e respeitar minha vontade, isto é parceria
b. (  ) deixo de fazer o passo que meu par não gosta

8. Se você frequenta o salão e alguém te convida para participar de um espetáculo de dança com coreografias, você:

a. (  ) pensa imediatamente que a pessoa que te convidou considera sua dança muito boa e tende a querer participar porque será uma experiência legal dividir com os outros a sua dança
b. (  ) pensa que vai dedicar um tempo para uma dança que não é sua e prefere agradecer, não aceitar e continuar dedicando seu tempo para curtir seu(s) par(es) preferido(s) no salão

9. Você se imagina, algumas ou várias vezes, dançando para que outras pessoas o vejam e apreciem sua dança?

a. (  ) sim
b. (  ) não

10. Quando você está se preparando para sair, você escolhe uma roupa e um sapato que se destaquem no salão ou prefere se trajar da forma que seu(s) par(es) preferido(s) mais aprecia(m)?

a. (  ) acho que os trajes que se destacam no salão são mais legais, combinam mais com minha dança e me fazem sentir bem
b. (  ) prefiro que meu(s) par(es) preferido(s) gostem da forma como estou

11. Na situação de dançar para outras pessoas que estejam ali para ver sua dança, compartilhando com você ao ver uma arte linda como a Dança de Salão sendo executada por você, o que sente:

a. (  ) fico feliz quando as pessoas me vêem dançando bem
b. (  ) gostaria de mostrar para as pessoas que elas também podem sentir o prazer da dança

12. O que te atrai em seu par preferido:

a. (  ) com meu par preferido minha dança é mais bonita
b. (  ) meu par preferido é quem tem as reações mais gostosas




Para pensar:

SALÃO: 1 a 4 respostas para letra "a": provavelmente você é um dançarino de salão em sua essência, em geral prefere ver a satisfação do seu par a ser reconhecido por dançar bem ou mostrar para outras pessoas os prazeres da dança. O cuidado a tomar é de não esquecer das regras do salão para satisfazer seu par.

ENTRE O SALÃO E O PALCO: 5 a 8 respostas para letra "a": você transita entre os prazeres do salão e os do palco. Gosta de desfrutar de seu par na intimidade, mas também gosta de compartilhar sua dança com outras pessoas que a admirem.

PALCO: 9 a 12 respostas para letra "a": você prefere o palco, é sempre saudável descobrir o que o leva a preferir o palco, e para você vale a pena procurar experiências com apresentações de dança, seja em iniciativas de outras pessoas ou próprias, para explorar este mundo e se entender nele. Quem sabe você se descobre com um grande talento e desenvolve um trabalho que se torna uma referência. O cuidado a tomar, é não desrespeitar ninguém na busca da sensação de se sentir valorizado e reconhecido.

Estas são apenas sugestões e reflexões que naturalmente variam de pessoa para pessoa, não servem como regra absoluta. Mas podem ser um ponto de partida para nos fazer pensar sobre o que somos para nós e para os outros em cada ambiente de dança onde estamos. É um ponto de partida para entender qual o papel da Dança de Salão em nossa vida, como desfrutamos dela, como a usamos, que espaços vazios ela preenche. Sempre é bom estarmos cientes e no controle sobre o que fazemos com esta arte em nossas vidas, para evitarmos a perda de valores que nos são importantes.

Uma vez que estamos conscientes do que sentimos, do que queremos, do que precisamos, podemos assumir o controle sobre o que fazemos e este é o caminho para que todos fiquem bem e possam aproveitar o melhor da dança, seja curtindo os encantos do salão ou as alegrias de se apresentar!

6 de outubro de 2015

A série sobre a História da Dança de Salão no Brasil do século XIX continua... chegou a vez de Minas Gerais!

A Mimulus CIA de Dança, de Minas Gerais, ocupa hoje seu merecido lugar de destaque no cenário da dança, conquistando com qualidade e encanto os palcos do mundo! O que poucos sabem é que a história desta arte em Minas Gerais não é recente, desde pelo menos o século XVIII faz-se beleza nestas terras de ouro!

Convido quem aprecia uma boa viagem no tempo a acompanhar a série sobre a História da Dança de Salão no Brasil do século XIX, que traz agora um pouco sobre Minas Gerais - saiba mais AQUI.

Esta pesquisa, que toma forma organizada a partir de 2012, é disponibilizada na forma de artigos científicos que vem sendo publicados internacionalmente desde 2013. Confira abaixo a série completa!

E aguardemos os próximos capítulos!


  1. História da Dança de Salão no Brasil: Minas Gerais do século XIX. Lecturas Educación Física y Deportes (Buenos Aires), v. 209. Outubro, 2015. NOVO
  2.  História da Dança de Salão no Brasil, recortes do Rio de Janeiro do século XIX. Lecturas Educación Física y Deportes (Buenos Aires), v. 207. Agosto, 2015. NOVO
  3.  História da Dança de Salão no Brasil, Bahia do século XIX. Lecturas Educación Física y Deportes (Buenos Aires), v. 195. Agosto, 2014.
  4.  História da Dança de Salão no Brasil, Maranhão do século XIX. Lecturas Educación Física y Deportes (Buenos Aires), v. 194. Julho, 2014.
  5.  História da Dança de Salão no Brasil: Pernambuco do século XIX. Lecturas Educación Física y Deportes (Buenos Aires), v. 192. Abril, 2014.
  6.  História da Dança de Salão no Brasil: Curitiba e Paraná do século XIX. Lecturas Educación Física y Deportes (Buenos Aires), v. 188. Janeiro, 2014. 
  7.  História da Dança de Salão no Brasil: mestres no Rio de Janeiro do século XIX. Lecturas Educación Física y Deportes (Buenos Aires), v. 187. Dezembro, 2013. 
  8. História da Dança de Salão no Brasil do século XIX e os irmãos Lacombe. Lecturas Educación Física y Deportes (Buenos Aires), v. 186. Novembro, 2013. 
  9. História da Dança de Salão no Brasil: São Paulo, SP do século XIX. Lecturas Educación Física y Deportes (Buenos Aires), v. 185. Outubro, 2013. 
  10.  História da Dança de Salão no Brasil: século XVIII e alguns antecedentes. Lecturas Educación Física y Deportes (Buenos Aires), v. 184. Setembro, 2013. 

4 de outubro de 2015

Espetáculos de dança ancorados na Literatura, o papel da plateia

A produção de um espetáculo, aqui me atenho especificamente aos de dança, pode ser inspirada de muitas formas, no cotidiano, em uma pintura, um filme, uma música, uma palavra, uma personalidade... e até no imenso mundo da literatura. A escolha pela inspiração literária merece cuidados específicos, naturalmente, se há algum compromisso com a Arte. E cabe à plateia a atenção sobre a forma como este trabalho é feito, afinal, é ela que molda parte da evolução desta Arte.
Inicialmente, lembremos que, em se tratando de Brasil, o público em geral é formado por leitores superficiais. Os títulos de maior vendagem, quase como regra, são medíocres do ponto de vista literário. Já o público que assiste espetáculos de dança, busca um diferencial cultural e, naturalmente, tem seu papel como crítico desta Arte, para tanto, leitura de qualidade é indispensável. E ler, entendo eu, vai muito além do conteúdo da obra, inclui o regozijo pela forma, pelo desenho da combinação de palavras e sentidos, pela profundidade, pela coerência de um enredo, pelo que está e pelo que se pode imaginar em entrelinhas, pela inteligência da composição, pela harmonia musical das frases, pela compreensão do autor e de seu momento histórico, pela excitação que o mergulho na abstração causa, pelo transporte a outros lugares e tempos, pela mudança que nos provoca... Literatura rasa, não tem este amplo poder, é exploradora barata do conforto intelectualóide e, frequentemente, parte de trajetórias autorais mercenárias, sem qualquer compromisso artístico.
Esta plateia, é potencialmente capaz de fugir da inópia na interpretação de textos porque não pode ser parte da massa que nem mesmo compreende as palavras em suas polissemias, quanto mais metáforas ou significados de frases com alguma elaboração. Uma iniciativa de escrita com conteúdos mais profundos, que exigem do leitor uma compreensão cognitiva sofisticada, mais trabalhosa, apreciação artística da modelagem textual, não terá hordas de seguidores. Autores deste tipo de texto, em geral, não esperam quantidades de leitores em curto espaço de tempo. Mas é este tipo de obra desafiadora do tempo que seduz um diretor de espetáculos de dança cujas inspirações são ávidas pelo que alarga o intelecto. Portanto, de alguma forma, este tipo de obra merece atenção da plateia também.
Boas ancoragens literárias de espetáculos de dança, acontecem a partir do conhecimento em seu sentido mais amplo. Um bom diretor mergulha no autor escolhido e esmiúça sua trajetória, seu objetivo de vida, seu papel político-social. A boa plateia também. Um bom diretor não se contenta com a leitura de um trecho isolado, ou traduzido com erros, não se satisfaz ao fazer as próprias elucubrações e interpretações alienadas do contexto. A boa plateia também não. O bom diretor transita de verdade nas vielas do que o inspira, com conhecimento e imaginação, a conduta pessoal de um autor que escolhe a pobreza bem maquiada para surfar na onda monetária em detrimento da qualidade literária, não o convence. À plateia também não deve convencer. Nesta seara, são insuficientes os autores de autoajuda superficial, que em nada se importam com a delação de sua elementaridade e mediocridade, isto quando não protagonizam tumultos mundiais de plágio tácito.
Felizmente no âmbito profissional contemporâneo brasileiro foram produzidos espetáculos de dança inspirados pela literatura a partir da escolha de autores inquestionáveis, fazendo a diferença para solidez de seu reconhecimento qualitativo amplo, do qual a plateia participa ativamente.
Deborah Colker é exemplo, depois de explorar o cotidiano, a arquitetura, as Artes Plásticas, os esportes, chega à maturidade para criar espetáculos inspirados em autores e suas obras literárias de peso irredutível no cenário mundial. Ao longo de décadas construiu esta maturidade, que não está obrigatoriamente relacionada à qualidade técnica da dança, e encontra-se preparada para a responsabilidade cultural e intelectual imposta por seu enfrentamento. Para ancorar o espetáculo “Tatyana” estreado em 2011,  Deborah escolhe o romance poético, recheado de sonetos, “Eugene Onegin”, um clássico da literatura universal publicado em diferentes edições de jornais entre 1823 e 1831, da autoria de Aleksandr Pushkin, conhecido como pai da literatura russa. 


Fonte: Eugene Onegin

Este romance inspirou ninguém menos que Tchaikovsky a compor, entre 1877 e 1878, suas “cenas líricas” de mesmo título, conhecidas hoje como sua ópera mais famosa. Sugestivamente, a obra estreada em 1878 inclui valsas que estavam no auge dos salões de dança da época. Onegin de Pushkin não inspirou apenas Tchaikovsky e as numerosas interpretações de sua ópera, esta obra não passou desapercebida pelo cinema, que em 1999 estrelou o filme trazido ao Brasil sob o título “Paixão proibida”, protagonizado por Ralph Fiennes e dirigido por sua irmã Martha Fiennes.


Fonte: “Eugene Onegin” - Photo: Metropolitan Opera

E o mais novo espetáculo de Deborah Colker, “Belle”, de 2014, é ancorado no romance “Belle de Jour”, do escritor argentino Joseph Kessel. A obra, trazida para o cinema no longa-metragem que traz o mesmo nome, em 1967, é protagonizada por Catherine Deneuve e permanece desbravadora até os dias de hoje, um clássico do cinema contemporâneo.
E a autoria de literatura brasileira não ficou apartada dos palcos de dança. A Companhia de Dança GEDA de Porto Alegre, por exemplo, apresentou em 2014 o espetáculo “Não me toque estou cheia de lágrimas – Sensações de Clarice Lispector”, que ganhou o concurso cultural promovido pelo Ministério da Cultura, intitulado Copa 2014.
Todos, espetáculos com registros evidentes das fundamentações de estudo profundo da literatura de força indelével que o ancora, abrangendo não só uma obra, mas, o significado social, político e temporal de seu autor. É isto que se deseja para espetáculos de Dança de Salão de Projeção, ou Contemporânea, ancorados em literatura.
Por fim, nossa responsabilidade como plateia não é passiva, não é simplesmente pagar o ingresso e aplaudir, é manter o olhar vivo e seletivo, que estimula produtores à busca pela qualidade. Deleitar-se valorizando o encanto de sons, luzes, cores e movimentos bem feitos e de bom gosto sim, mas, quando em tese há uma obra literária como inspiração, precisamos fazer nossa parte, mantendo a atenção para não nos desgarrarmos da tarefa imprescindível de avaliar e conduzir ao aprimoramento. Vale, sempre, primar pelo conhecimento consistente, alimentar o senso crítico e, se há recurso público envolvido a exigência de critério por parte da plateia chega a ser uma questão de cidadania.



Dvd Paixão Proibida - Ralph Fiennes, Liv Tyler - Raríssimo