11 de maio de 2013

Izabela Gavioli brilha de novo em: "Gestação e dança de salão"


Tornei-me fã de Izabela Lucchese Gavioli quando li o artigo “Dança de Salão: o remédio e a bula”, publicado na Revista Dança em Pauta em julho de 2010. Desde então não perco nenhum de seus artigos nesta revista, coluna Dança & Saúde. Aliás, escolha precisa da colunista, mérito de Keyla Barros, editora da Revista Dança em Pauta.

Izabela é uma raridade preciosa para a Dança de Salão. Formada em medicina, especialista em Reumatologia e Medicina do Esporte, mestranda em Artes Cênicas, bailarina, professora de Dança e Saúde em pós-graduação da PUC-RG, carrega uma vasta experiência na área de lesões na dança. Seus artigos são peças raras de registros que unem os conhecimentos de Dança de Salão e Saúde. São únicos.






Quando troquei os primeiros e-mails com ela vi ainda outro valor que poucos tem: ela não aceita ideias mal fundamentadas e não se cala.

Estou finalizando mais dois livros e um deles traz assuntos em que foram feitas diversas citações dos textos de Izabela, não havia como ser diferente, são abordagens pioneiras e que navegam sozinhas na pouca literatura da área.

Hoje, li um novo artigo dela que é outra pérola. A ideia de abordar a gravidez e a Dança de Salão no dia das mães, segundo Keyla Barros, foi de Déborah Godoy uma das modelos fotografadas no artigo e parte da equipe da Revista Dança em Pauta. Por sinal, uma ideia muito inteligente para a ocasião. Izabela, como é o seu padrão, trouxe informações valiosas e, porque não, corajosas ao registrar informações sérias, independente das polêmicas que já causaram, por exemplo:

“...cabe recomendar cautela com relação a ritmos mais saltitantes, como o Lindy Hop, e outros que trabalhem com extremos de oscilação axial, como o zouk”.

Sábia, registrou a ressalva da falta de fontes científicas e não foi incisiva com tal cautela ao tratar de outros ritmos.

Tema brilhante para o Dia das Mães e sensacional no conjunto de informações que trouxe.

Não tenho como deixar passar, mais uma vez: Parabéns Izabela!

9 de maio de 2013

A Dança de Salão não escapou dos títulos acadêmicos falsos

Estes dias, pensando no festival de títulos inexistentes que chegaram a ser moda no governo brasileiro, lembrei que a Dança de Salão não escapou desta prática.

José Cláudio Noronha não tem nível de escolaridade superior, mas, arranjaram-lhe um diploma falso que afirmava ter concluído com sucesso Bacharelado em Administração de Empresas.

Aloízio Mercadante, também tem afirmações de ser doutor, mas não tem o título. Segundo Reinaldo Azevedo (Revista Veja): “ele até acompanhou algumas aulas do doutorado, mas, como não apresentou a tese, foi desligado do programa”, logo, não é doutor.

Um currículo de Dilma afirma que é mestre e doutora, mas, segundo ela mesma, não defendeu tese. Mais uma vez, Reinaldo Azevedo (Revista Veja) registra: “fez os créditos dos dois cursos, mas sem a apresentação do trabalho. Sem trabalhos, não há títulos”.

Pessoas que registraram ter um título que não galgaram honestamente, depois de questionadas, apresentam as desculpas mais esfarrapadas, por exemplo: “digitaram errado no meu currículo”, “eu mesmo digitei uma coisa e saiu outra no currículo”, “mas, eu fiz um curso no exterior que vale um pós-doutorado” e outros, nem apresentam desculpas.

Quem pensa que este tipo de embuste está restrito a estas esferas governamentais reveja seus conceitos. Atitudes assim refletem um tipo de caráter que, infelizmente, está inserido na sociedade como um todo, inclusive nas universidades.

E a Dança de Salão não escapou. Em 2007 notei no site de uma grande universidade pública do Paraná informações curriculares de uma professora de Dança de Salão curitibana que ministraria uma oficina em um dos eventos mais importantes da instituição e afirmava ser “mestre em educação”. Mas, notoriamente sabe-se que nem uma matrícula neste curso havia existido. Na época, informei a universidade sobre o equívoco na informação, recebi a resposta de que foi um erro de digitação, mas, a página daquele evento está no ar até hoje e o título continua sem existir.

Não foi o único caso, em 2010 ouvi pessoalmente outra professora de Dança de Salão curitibana proferir em público que era pós-graduada em Dança de Salão, mas, não tinha o título porque não escreveu a monografia obrigatória para sua obtenção. Seu nome não constava na listagem de formados de nenhuma das turmas e, naturalmente, sua monografia não foi disponibilizada pela biblioteca da instituição como a de todos os formados.

Será que alguém pensa que quem é capaz de mentir sobre uma informação como esta não o fará por outras razões?

Talvez por isto vejamos tantos mestres e doutores, hoje, que nunca produziram efetivamente nada substancial. Quando muito aparecem em meio a uma miríade de outros autores de um artigo científico, sem nunca serem o primeiro autor. Para quem conhece os acordos de cabides de autores em artigos isto não surpreende. Mas, quando lemos o que de fato escrevem, percebemos que não dominam nem a base da língua, quanto mais a ciência. Também sabem pouco sobre respeitar quem trabalha de verdade.

O que traz serenidade é saber: existem raros e sérios profissionais autênticos em todas as áreas que, tendo ou não títulos verdadeiros, com ou sem fama, continuam fazendo a diferença. Eles fazem a História real, que fica, acontecer. Os outros, esforçam-se para mostrar sua história fantasiosa que sumirá no tempo.



Fontes:

6 de maio de 2013

Crianças no salão


Existem bailes configurados de tal forma que admitem a presença de crianças. Neles, não há problemas em levar filhos pequenos. Entretanto, a maioria não é local apropriado para crianças.
Recentemente fui a um baile de formatura em um grande clube de Curitiba. O início do evento foi marcado para 22h. Chegamos 23h e muitos jovens estavam presentes. Antes das duas da manhã, boa parte deles, estava embriagada. O chão tinha bebida derramada e sujeira que incluía cacos de vidro. O som era ensurdecedor, apitos, cornetas e auto falantes muito altos. Normal para o que se entende por um bom baile de formatura hoje. De fato, todos se divertiam dançando e usando aqueles apetrechos de fantasias para festas. Ou, quase todos. Para minha surpresa, neste ambiente, chamou a atenção um rapaz de vinte e poucos anos que estava com uma criança que não devia ter mais de cinco anos. Podem haver mais, mas, imaginei duas hipóteses para explicar a presença deste menininho naquele ambiente.
A primeira delas é a da natureza do adulto humano. Fomos selecionados para gostar de crianças. Naturalmente, quem tem filhos é irrestritamente apoiado e muitas vezes sustentado pela sociedade como um todo, especialmente em um país com as políticas públicas do Brasil. Sem isto a espécie humana não seria viável e não teríamos chegado a uma população de sete bilhões de pessoas, um tamanho que começa a chegar ao outro extremo, ameaçar a espécie por destruição do planeta. Crianças nos despertam o instinto de proteção. Estudiosos dizem que o tamanho diminuto do corpo, cabeça proporcionalmente maior e olhos grandes provocam reações na química cerebral do adulto normal, levando-o a querer cuidar. Pais e mães tem esta sensação intensificada, portanto, sua química cerebral é movida ainda mais fortemente para defender suas crias, admirá-las, e entenderem subliminarmente que são sua própria continuação. Embora filhos sejam outras pessoas, não seus pais. Talvez por isto quando alguém fala sobre todas as penosas dificuldades que um filho traz para a vida do adulto, pais argumentam que tudo vale a pena quando veem o sorriso do filho ou algo semelhante. Respostas que só podem ser dadas por um cérebro que está pai ou mãe. Comportamento selecionado ao longo de muitas gerações. Do contrário a espécie estaria extinta. Também é sabido que estas alterações químicas do cérebro levam pais a fazerem coisas incríveis, que só eles são capazes de fazer por seus filhos. Infelizmente, este instinto, não raro, leva adultos da atualidade a agirem de forma a prejudicar seus filhos, sem nem se darem conta disto. Há mães que protegem demais e a pessoa cresce sem saber enfrentar o mundo, há pais que não conseguem dar limites aos seus filhos confundindo isto com amor, outros nem ao menos percebem que o filho precisa ser corrigido porque sua visão é de que sua criança é a melhor de todas, mais linda, mais inteligente e mais perfeita. No fundo, pais e mães normais tendem a achar, mesmo sem terem plena consciência disto, que seus filhos são melhores que os outros. É muito comum olharmos um pai ou uma mãe admirando seu filho em público enquanto procuram o olhar dos adultos a sua volta para certificarem-se de que também estão admirando seu pimpolho. Há também os pais que tem muita dificuldade em ficar longe do filho, de tanto que querem cuidar, proteger e, muito frequentemente, exibir. Natural. Então, esta seria uma explicação para um filho de uns cinco anos estar em um baile como o que descrevi, o pai tem dificuldade de ficar longe e/ou quer exibi-lo. De fato a criança era linda.
A segunda possibilidade é bem diferente. A ginecologista Eliza Yoshiko Silva registrou em sua dissertação de mestrado que quase 70% das mulheres engravidam sem nenhum planejamento e muitas declaram que não ficaram felizes ao saber que seriam mães.  Isto quer dizer que uma quantidade enorme de pessoas gera filhos e se arrepende. Uma boa parte destas pessoas recusa-se a aceitar isto, até porque admitir que não se quer um filho é um tabu social. Muitos que se tornaram pais assim, não querem que nada em sua vida mude após seu filho nascer. Então, se não conseguem alguém para entregar a criança, principalmente durante sua diversão, levam junto e agem como se todos os outros em volta tivessem o dever de dar a ele todas as prioridades só porque ele tem um filho. Esta seria outra explicação para uma criança de cerca de cinco anos estar naquele baile, egoísmo de pais que não querem filhos. Parece a mais plausível para o caso considerando a atenção dada à criança.
Bem, até agora este assunto tratou só dos pais. Mas, não há como não abordar a questão do prejuízo que a criança pode ter. Imagino que não seja necessário consultar um psicólogo para perceber que uma criança com cerca de cinco anos estaria melhor em casa, dormindo como o recomendado para o horário, do que em um baile como o descrito.
Por fim, existem ainda muitas pessoas que vão ao baile para se divertir e não para se preocuparem com o filho de outra pessoa. A maioria dos adultos que está ali, naquele momento, não quer cuidar de um pequeno. Então, é bom para a criança e para os demais adultos presentes no evento, que os menores não sejam trazidos a situações como esta, o que, inclusive, deveria ser proibido. É aconselhável verificar a idade a partir da qual é adequada a presença da criança no evento ao qual se pretende ir. Da mesma forma é importante o bom senso para verificar a adequação da presença de determinadas faixas etárias da infância em eventos, sejam bailes, formaturas, casamentos, encontros dançantes, domingueiras ou o que for.
Quando se tem filhos, é comum achar que os outros também tem a obrigação do ônus desta escolha. Mas, isto não é plenamente verdadeiro. Quem decidiu ter filhos ou os teve mesmo sem decidir, assumiu a missão irrevogável de dar a eles o melhor, e isto significa, muitas e muitas vezes, abrir mão do que é melhor para si. Logo, papais e mamães indispensáveis para nossa espécie, pensem primeiro em seus filhos, depois nos outros adultos que querem desfrutar da festa e, por fim, se sobrar espaço, pensem em si próprios.

1 de maio de 2013

Imagem do Cassino Fluminense, mais um capítulo

Este mês o Jornal Falando de Dança, Rio de Janeiro, publicou o artigo "Imagem do Cassino Fluminense é uma FRAUDE". Leonor Costa, a editora do jornal, preparou o artigo com muito capricho, acrescentando fotos que ficaram perfeitamente encaixadas no conteúdo. 

Uma das fotos é do pátio do Museu Histórico Nacional de Santiago decorado para as comemorações pátrias do Chile com a litografia de Lehnert. Esta litografia foi usada de forma adulterada no livro "Salões e Damas do Segundo Reinado", de Wanderlei Pinho, com edições entre 1942 e 2004, como se fosse do Cassino Fluminense, no Rio de Janeiro, conforme já postado anteriormente. 

Outra imagem importante que Leonor acrescentou ao artigo é uma foto do Salão de Dança do Automóvel Clube, onde na época do Segundo Reinado funcionou o Cassino Fluminense, datada de junho de 1985.

Por fim, também muito bem colocada, a foto da fachada do Automóvel Clube.

Parabéns à editora Leonor Costa! Primeiro porque sempre fez um trabalho pautado pela seriedade. Segundo, pela coragem em publicar uma matéria polêmica e perigosa como esta. Depois, por tê-la preparado de forma tão caprichada. Deixo aqui ainda meu agradecimento pela confiança!

Confira a edição do Jornal Falando de Dança: http://issuu.com/dancenews/docs/ed_68_completa_para_leitura?mode=window&viewMode=doublePage

Mais detalhes a respeito da pesquisa realizada sobre a referida figura: http://www.efdeportes.com/efd173/um-baile-no-cassino-indicios-de-uma-fraude.htm

Figura 1 - Ilustração da publicação do artigo "Imagem do Cassino Fluminense é uma FRAUDE", publicado no Jornal Falando de Dança, Rio de Janeiro, em maio de 2013. Disponível em: http://issuu.com/dancenews/docs/ed_68_completa_para_leitura?mode=window&viewMode=doublePage


27 de abril de 2013

Durante 6 minutos acreditei que sabia dançar Tango!

Marco Antonio Perna, em seu livro Samba de Gafieira, a História da Dança de Salão Brasileira, de 2005, sugere a existência de 5 tribos na Dança de Salão:

1 – Samba de Gafieira, Bolero Carioca e Soltinho (Swing);
2 – Tango argentino;
3 – Lambada/Zouk;
4 – Salsa e Merengue;
5 – Forró.

Sempre achei esta proposta uma sacada. E minha escolha, desde o início, foi o Samba, Bolero e Soltinho. Inicialmente por achar que era um dever valorizar a dança do nosso país, depois, por encanto. O Zouk também me apaixonou, mas, como me acidentei em uma dança com consequências permanentes, não há mais como explorá-lo plenamente. Por fim, esta escolha também foi uma decisão por não aprender Tango. Inclusive porque ao ver pessoas da tribo do Samba dançando Tango, sentia uma contaminação visível e nitidamente difícil de controlar. Como alguns professores curitibanos que começaram a dançar no tempo em que houve o auge da Lambada e, por exemplo, não conseguem dançar um Bolero sem que vejamos Lambada.

A vida dá muitas voltas, como todos sabemos, e hoje, circunstâncias particulares me fizeram olhar para o Tango. Olhar. Ainda não aprendi nada.

Como conheço Vania Andreassi há muitos, muitos anos mesmo, e considero-a uma referência de seriedade em Tango para salão, procurei-a. Fomos, meu marido, eu e minha grande parceira, minha irmã, conhecer o espaço Todo Tango, que merecerá uma postagem especial em outra ocasião. Seja como for, a ideia era assistir. Veio um bolero, claro, não tinha como não dançar. Um soltinho, lá fomos para a pista. E começaram os Tangos, cuja expectativa era assistir. Que linda visão. O espaço abrangia uma amplitude de faixa etária fantástica. Um casal nos emocionou e foi impossível não arriscar uma conversa quando vieram para suas mesas. E o cavalheiro deste casal tirou minha irmã para dançar. Foi incrível, a visão de fora, leiga, era de uma dama que há muito tempo dançava Tango. Depois, tive o privilégio de ser tirada por este cavalheiro. Dois Tangos. Espantoso, me senti como se soubesse dançar Tango! Este é o tipo de cavalheiro que no artigo “Cavalheiros são veículos” (Revista Dança em Pauta, 18 de janeiro de 2011), me referi como o que faz a dama se sentir uma joia rara.

Dancei com muitos cavalheiros experientes em palco e, nem sempre eles eram exímios no salão. Muitas vezes me faziam sentir que não sabia nada de dança. Levei anos para perceber, eram eles que não sabiam conduzir. Este cavalheiro, dos dois primeiros Tangos da minha vida, me fez dançar como se eu soubesse o que é um Tango, e eu não sei. Parecia uma mágica. Não é qualquer cavalheiro que tem a capacidade de fazer isto com uma dama que não conhece a dança.

Obrigada por esta sensação indescritível, por me manter acreditando que sabia dançar Tango durante 6 minutos... Paulo Roberto Barcala.

26 de abril de 2013

Sexo e Dança de Salão

Não é de hoje que esta relação misteriosa entre sexo e Dança de Salão me encanta. 

Como divulguei há alguns dias, um novo artigo estaria para sair. Ontem, foi publicado na Revista Dança em Pauta, sob o título: "O que Dança de Salão tem a ver com sexo?". A edição do artigo feita pela Revista Dança em Pauta ficou belíssima. De brinde, ao final do texto, está disponibilizado um vídeo do documentário “Instintos – O lado selvagem do comportamento humano”, produzido pela rede BBC, de Londres, citado no artigo.





Confira o artigo em: http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/o-que-a-danca-de-salao-tem-a-ver-com-sexo/

19 de abril de 2013

Sertanejo é Dança de Salão?

Esta semana tive a curiosidade de saber que Dança de Salão o público curitibano mais procura em escolas de dança. Como estas instituições vivem deste público, certamente ofertam o que é mais procurado por ele, uma questão natural do mercado. 

Fiz uma busca no Google com as palavras chave: escolas Dança de Salão Curitiba. Em seguida elenquei as dez primeiras escolas cujos sites foram indicados em links não patrocinados. 

São elas na ordem em que aparecem: 
  1. Dance Sempre
  2. Almir Lima
  3. Cido Arruda
  4. Carlinhos Moro e Katia Souza
  5. Flor de Lotus
  6. Sandra Ruthes
  7. Walmir Secchi
  8. Edson Carneiro
  9. Gestual
  10. Oito Tempos
Acessei todos os sites e anotei os nomes das danças que ofereciam como Dança de Salão. Por fim, somei em quantas escolas cada dança foi citada obtendo o seguinte resultado:


Bolero 10
Forró 10
Salsa 10
Samba 10
Sertanejo 10
Tango 10
Zouk 9
Soltinho 7
Cha-cha-chá 6
Valsa 5
Merengue 4
Dança gaúcha 3
Rock 3
West Coast 2
Roda de cassino 2
Milonga 1
Lindy hop 1
Lambada 1
Discoteca 1

Seis danças são oferecidas por todas as 10 escolas, provavelmente, por serem as mais procuradas: Bolero, Forró, Salsa, Samba, Sertanejo e Tango.

O que chama a atenção entre as danças mais procuradas é a denominada "Sertanejo", que não é encontrada na literatura como uma Dança de Salão. Ao retomarmos algumas definições percebemos algo curioso:

Dança de Salão – é a arte conservacionista que se universaliza em práticas sociais, não cênicas, nem esportivas, consistindo na interpretação improvisada da música através dos movimentos dos corpos de um casal independente, quando o cavalheiro conduz a dama.
Exemplos: Samba de Gafieira, Bolero Carioca, Tango, Lambada, Swing (Soltinho).

Dança Social – é a dança recreativa de prática social, não cênica, nem competitiva, sem natureza artística, desprovida de técnica elaborada ligada a sua origem, que se universaliza e consiste em movimentos dos corpos de um casal independente, sob a condução do cavalheiro.
Exemplo: Curinga.

Dança Popular – é uma manifestação cultural de um povo, mantida por prática social, passível de evolução, que não se universaliza, não é competitiva nem cênica. Não é dançada necessariamente com trajes típicos.
Exemplos: Cueca, no Chile, Frevo, no Brasil, ambas danças ainda praticadas; Waltzer, dançada popularmente por volta do século XV em algumas regiões como a periferia de Viena, era mais grosseira que a Valsa, entretanto, deu origem a ela quando adaptada para os salões aristocráticos.

Discoteca – é a dança em que não se formam pares enlaçados, cada indivíduo movimenta-se aleatoriamente, balançando o corpo, pode-se dançar sozinho, um de frente para o outro ou formando círculos de variados tamanhos. Segundo Perna (2005), consiste “em dançar separado da parceira, sacudindo e balançando, com rebolados e amplos movimentos, além de muitas caras e bocas”.
Exemplo: dança da discoteca.

Dança Tradicionalista Social - é dança preservacionista de prática social, não cênica, nem competitiva. Pode ser dançada socialmente com trajes típicos.
Exemplo: Danças Gaúchas disseminadas pelos CTGs.

Dança da Moda – dança que se universaliza por mecanismos midiáticos.
Exemplos: Macarena, Axé.

Fonte dos conceitos: Conceitos e definição de Dança de Salão”. Revista Lecturas Educación Física y Deportes. Buenos Aires. Ano 17. Número 172. Setembro, 2012. Maristela Zamoner

Analisando estes dados notamos que o Sertanejo não se encaixa com precisão no conceito de Dança de Salão uma vez que não é uma arte conservacionista, ou seja, que evolui guardando qualidades técnicas que remontam a sua origem. É uma dança mais compatível com a definição de Dança Social ou talvez até de Dança da Moda. Outras danças elencadas também fogem da definição de Dança de Salão: Danças gaúchas e Discoteca.

Relembrando o artigo sobre o Soltinho, de Cristovão Christianis, notamos ainda que de fato as escolas não estão oferecendo esta dança em sua totalidade uma vez que apenas 7 delas o citam.

Assim, notamos que o público ainda não conhece bem o que é a Dança de Salão. Mas, o fato das escolas oferecerem o Sertanejo é positivo uma vez que atrai este público oportunizando a aproximação com a Dança de Salão e o contato com suas belezas e encantos.

15 de abril de 2013

Anti-horário ainda é regra de salão?

Este fim de semana estive com meu marido em um baile na cidade de União da Vitória, por sinal uma cidade deliciosa. Foi um evento social familiar belíssimo, muito bem organizado e com anfitriões encantadores. O baile abriu com três valsas seguidas por um forró em que um casal destacou-se por ser o único, no salão repleto de bailantes, a seguir o sentido anti-horário. Também foi interessante notar que este casal, na faixa etária de cerca de 30 anos de idade, dançava uma base de dois passos para um lado e um para outro, ao som do Forró. Notava-se um modo de dançar característico da prática das danças gaúchas, o que, possivelmente, explica o fato de ser o único casal a seguir o sentido anti-horário.
Milton Saldanha, editor do Jornal Dance já publicou diversas matérias bastante enfáticas sobre bailes em que poucos respeitam o sentido anti-horário. Acredito que ele discuta esta questão em seu jornal há quase duas décadas, apontando várias causas. O autor exclui de sua crítica o iniciante e ressalta o fato de que ocorrem falhas no ensino uma vez que os alunos aprendem a fazer os passos sem se deslocarem. Mas, se lembrarmos bem, muito antigamente, antes de se proliferarem escolas de dança, haviam bailes em que o sentido anti-horário era respeitado, todos conheciam esta regra, não raro tendo aprendido em casa. Mas, o tempo correu, gerações se passaram, os bailes mudaram e os salões também. Assistindo a dança em um salão como foi neste fim de semana, chego a me perguntar se a regra de seguir dançando no sentido anti-horário em um salão ainda existe.

11 de abril de 2013

Soltinho, a ararinha azul de Cristovão Christianis?

Figura 1: Cyanopsitta spixii. Proceedings of the Zoological Society of London 1878. Imagem em Domínio Público

A revista Dança em Pauta acaba de publicar o artigo "Soltinho: uma dança em risco de extinção", de Cristovão Christianis.

Primeiramente, sobre o autor, lembro que em agosto de 2011 publicamos em conjunto o artigo "Reflexões sobre o Bolero e sua história", uma empreitada extremamente produtiva da qual jamais esquecerei. Ao longo do desenvolvimento deste trabalho pude perceber a seriedade de Cristovão, sua inteligência para pesquisa e percepção aguçada sobre a Dança de Salão. Noto que seu novo artigo reafirma estas características, independente de seu cunho não científico. Ele percebeu algo que vem gradativamente ocorrendo com o Soltinho e soube materializar com excelência em seu texto. Realmente, o Soltinho merecia mais respeito, se não por nada, devido ao fato de ser uma obra de arte genuinamente brasileira. A colocação de Cristovão, embora sutil, deixa clara outra realidade, este preconceito parece sim ter origem na sala de aula. É, portanto, um excelente tema de reflexão para professores, formadores de opinião que demonstram desprezo por esta dança diante de seus alunos.

Afinal, o Soltinho é parte de nossa identidade e seria mais inteligente, e justo, agirmos no sentido de levá-lo para além de nossos limites geo-políticos do que simplesmente pisá-lo para abrir espaço a estrangeirismos. Claro que todas as danças devem ter seu espaço, desde que para isto não seja necessário extinguir uma dança "nativa" em favor de uma "exótica", emprestando os consagrados termos biológicos como o próprio Cristovão sabiamente fez. Um ser vivo que vem de outro território, portanto é exótico, e começa a se multiplicar prejudicando os nativos é considerado um bioinvasor e exige medidas austeras de controle para preservação da biodiversidade local. No contexto da Dança de Salão, se uma dança nativa começa a ser prejudicada por danças exóticas, passa a ser pertinente pensar em medidas de controle de exóticas invasoras e/ou recuperação da dança nativa. Afinal, o conceito de biodiversidade moderno abarca a cultura que, por sua vez, engloba a Dança de Salão. Logo, falar em possibilidade de extinção de uma dança, independente disto parecer alarmista, é falar em perda de biodiversidade cultural.

Pensemos por um momento no caso da ararinha azul (Cyanopsitta spixii), nativa do Brasil, exposta a pressão ambiental que o Soltinho sofre agora, forçando a redução de sua expressão. A situação chegou ao ponto de ser declarada extinta na natureza brasileira em 2002. Mas, no exterior, este animal é criado em quantidades significativas. A pressão sobre a ararinha azul pode muito bem ser comparada ao que começa a ocorrer com o Soltinho. Por isto precisamos refletir com urgência se queremos que o Soltinho seja mais uma ararinha azul, um nativo extinto do salão brasileiro e talvez, com sorte e vergonha, conservado em cativeiros estrangeiros.

Considero este artigo não só uma brilhante iniciativa, mas, uma importante revelação de um "assédio cultural" perigoso contra o Soltinho. É tempo de revermos com cuidado esta questão e iniciarmos um movimento sério de "repovoamento" do Soltinho para que não seja conveniente avaliar possibilidades recomendáveis de controle de invasores. É momento para sua revitalização, valorização e divulgação.

Parabéns Cristovão Christianis. Acredito que seu artigo seja um divisor de águas na história do Soltinho no Brasil.

Confira o artigo em: http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/soltinho-uma-danca-em-risco-de-extincao/


9 de abril de 2013

Sexo e Dança de Salão

Este assunto sempre me interessou. Há anos tem sido motivação para pesquisa. Ao que tudo indica, embora o tema não motive muita gente, não estou só. 

Recentemente pude rever o documentário “Deepest Desires” da série “Human Instinct”, produzida pela BBC em 2002. O episódio, já na abertura, mostra casais dançando em um salão enquanto o apresentador, professor Robert Winston, introduz o complexo mundo da atração sexual. Há muito tempo, lembro bem, outra excelente produção que trazia a Dança de Salão para ilustrar assuntos científicos sobre a sexualidade humana foi exibida no episódio "Para amar e respeitar", de Grandes Séries: "A Ciência do Sexo", trazida ao Brasil pelo canal de TV à cabo GNT, em 2004. A série toda é baseada no livro “Anatomy of Love”, um best seller de 1993 da antropóloga norte americana Helen Fisher, especializada em sexualidade humana.

Estes dois documentários são apenas exemplos reveladores do inevitável olhar biológico sobre a Dança de Salão. 

Depois de uma produtiva provocação da editora Keyla Barros da Revista Dança em Pauta, comecei a trabalhar um novo artigo sobre o assunto, que deve ser publicado nas próximas semanas.



Deepest Desires, confira em:



17 de março de 2013

Dirty Dancing - cena deletada

Vinte anos depois do lançamento do filme Dirty Dancing, que se deu em 1987, divulgou-se amplamente uma cena que fora deletada do filme original. Nesta cena há uma dança sensual protagonizada por Jennifer Grey e Patrick Swayze nos papéis de Baby e Johnny, respectivamente. A música escolhida para a cena foi "She's like the wind" e os atores a interpretam semi-nus, cavalheiro sem camisa e dama apenas com roupas íntimas, representando uma dança prelúdio do sexo.

Nos últimos anos esta cena chegou a ser disponibilizada no Youtube. É interessante notar que o filme traz muitas cenas sensuais e algumas até com discreto tom de vulgaridade, embora produzidas em uma atmosfera de muito bom gosto. Vendo hoje esta cena deletada, sua beleza, a revelação que faz de uma dança-sexo sublime e comparando-a com outras cenas do filme, pode ficar até difícil entender a razão que teria levado a decisão por excluir do filme o que teria sido uma das cenas mais lindas e mais reveladoras para a dança.

Confira em: 



9 de março de 2013

Fotografia do Cassino Fluminense enviada por leitor do Rio de Janeiro

Na semana passada um leitor do Rio de Janeiro registrou uma mensagem nos comentários da postagem deste blog, intitulada "Imagem do Cassino Fluminense é uma FRAUDE", do dia 30 de agosto de 2012. Nesta mensagem, o leitor afirma que a figura publicada no livro de Pinho "não tem nada a ver" com o salão onde funcionara o Cassino Fluminense. Em seguida, oferece-se para enviar uma foto da imagem do salão principal do Clube do Automóvel, onde funcionou o Cassino Fluminense. Em contato com o leitor, recebi uma imagem de um folheto do Automóvel Clube. 

Disponibilizo abaixo a imagem enviada pelo leitor (Figura 1), juntamente com o desenho publicado no livro "Salões e Damas do Segundo Reinado", de Wanderley Pinho, adulterado, sob a legenda "Um baile no Cassino" (Figura 2) e seu original, a litografia de Pierre Frederic Lehnert, datada de 1841, que consta no “Atlas de la historia física y política de Chile”, publicado por Claude Gay (1854). Reforçando, o início das atividades do Cassino Fluminense é registrado em 1845, portanto, posterior à datação da produção da imagem do livro de Pinho, mais um dado que demonstra a impossibilidade da imagem corresponder a "Um baile no Cassino".

Relembrando, o contato por correspondência eletrônica oficial com a “Oficina de documentación y registros patrimoniales” do Museu Histórico Nacional do Chile, no dia 4 de setembro de 2012, revelou que, efetivamente a Figura 3 retrata um baile ocorrido no pátio deste museu, que no período colonial foi a “Real Audiencia” e “Casa de Gobierno” do Chile. Na mesma correspondência foi informado ainda que em 2011 comemorou-se o centenário do museu e o pátio foi decorado com este desenho de Lehnert (Figura 3).

Figura 1 - Folheto do Automóvel Clube, enviado por um leitor do Rio de Janeiro.


Figura 2 - Foto do livro "Salões e Damas do Segundo Reinado", de Wanderley Pinho, edição de 1970, mostrando a página com a suposta imagem de um Baile no Cassino.


Figura 3 - Imagem do Atlas de la historia física y política de Chile, publicado por Claude Gay, em 1854. Pintura datada de 1841 do pintor Pierre Frederic Lehnert, em comemoração do aniversário da independência do Chile, que ocorrera em 1818.



Você pode ver detalhes sobre a pesquisa que revelou a adulteração da Figura 3, transformando-a na Figura 2, no artigo "‘Um baile no Cassino’ x ‘Un baile en la Casa de Gobierno’: indícios de uma fraude", que encontra-se publicado na Revista Científica argentina "Lecturas: Educación Física y Deportes" número 173, de outubro de 2012. Confira em: 
http://www.efdeportes.com/efd173/um-baile-no-cassino-indicios-de-uma-fraude.htm

24 de fevereiro de 2013

Filme: "O lado bom da vida"

Esta semana fui ao cinema com minha irmã. Pela indicação dos meus pais, assistimos "O lado bom da vida". 

O filme é muito interessante. Basicamente, é sobre como duas pessoas com problemas psiquiátricos encontraram disciplina e foco ao objetivar participar de um concurso de Dança Esportiva*. As cenas de dança não são as mais encantadoras, mas, tem seu valor justamente pela normalidade que encerram. Chamou-me atenção a fuga do padrão de filmes que relatam o drama de parceiros que treinam exaustivamente para ganhar uma competição. O objetivo singelo é conquistar apenas uma nota 5 para sua dança, e a vibração que esta conquista trouxe, não deixou nada a desejar se comparada à comemoração dos vencedores. 

Vale a pena ver, o filme teve premiações de melhor filme, diretor, roteiro e atriz. Mas, para meu nível de conhecimento na área, o ponto alto foi de Robert De Niro, que interpretou brilhantemente uma cena ímpar, quando sua personagem, o pai do protagonista, acorda o filho para falar de sua necessidade em dedicar mais tempo na sua companhia.

* Ver definição em: http://www.efdeportes.com/efd172/conceitos-e-definicao-de-danca-de-salao.htm

28 de janeiro de 2013

Qualidade de vida dos praticantes de dança de salão

Hoje pude apreciar o artigo "Qualidade de vida dos praticantes de dança de salão", da autoria de Zenite Machado e coautoras, publicado em fevereiro de 2012 pela Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde. 

Trata-se de um artigo que se diferencia por alguns aspectos muito interessantes. 

Destaco sobre a qualidade desta pesquisa, primeiramente, o tamanho da amostra que incluiu 402 indivíduos.  

E não foi o único diferencial em trabalhos na área de Dança de Salão que pude constatar, é ainda uma das poucas pesquisas em que optou-se por realizar uma análise estatística. 

Registro aqui meus parabéns à equipe autora.

Confira na íntegra: http://www.sbafs.org.br/_artigos/495.pdf

25 de janeiro de 2013

Quantos pesquisadores são necessários em uma publicação?

Tenho notado um crescente abuso de autores em artigos científicos, inclusive na área da Dança de Salão.

Muitas vezes, pesquisas simples, visivelmente factíveis por um único pesquisador, apresentam como autores, seis, sete, oito ou mais pesquisadores. É fato que estabeleceu-se um "mercado" acadêmico em que contam-se pontos para cada trabalho que um pesquisador tem, criando-se uma espécie valor quantitativo para a produção acadêmica. Assim, pesquisadores trocam favores, colocando em seus artigos nomes de colegas que, em troca, retribuem o mesmo favor. Isto permite que todos aumentem suas pontuações, o que, geralmente, significa possibilidade de mais recursos, não raro, públicos. 

Mas, é preciso lembrar que este tipo de negociata é uma enganação, é mentira científica. Então, percebo que a pergunta ao título desta postagem pode ser sabiamente substituída por outra: "Quantos pesquisadores são desnecessários em uma publicação?

Valorizo particularmente quem tem coragem de publicar seus artigos sozinho (raridade atualmente) e também sabe trabalhar em equipe, publicando com um ou outro colega que de fato participou da pesquisa. 

Vejo que é tempo de questionar os cabides de autoria que estão se proliferando, da mesma forma que é preciso questionar a ética desta conduta.

Mérito, o descarte

Há algum tempo, uma situação lamentável na área da Dança de Salão motivou-me a produzir o artigo: "Doutores aprendizes". Hoje, nova circunstância faz-me lembrar o descrédito do mérito em nosso país, sua penetração no meio acadêmico e o preço que todos pagaremos a longo prazo.

Resta-nos voltar os olhos para a reflexão, na esperança de que os trilhos da integridade sejam, um dia, reencontrados. 

Por isto, compartilho aqui o artigo citado, na íntegra, originalmente publicado em: http://www.protexto.com.br/texto.php?cod_texto=1391.

Doutores aprendizes 


No site da USP, uma das mais respeitadas universidades do Brasil, na área “Divulgação da Tese”, consta a afirmação: “Ao escrever sua tese, o aluno estará aprendendo a escrever um artigo”. Entretanto, uma pesquisa simples mostra que, inexplicavelmente, uma vasta legião de doutorandos, e mesmo doutores, nunca publicou sequer um único artigo científico, nem mesmo de suas próprias teses, mantendo-se, portanto, na condição de “estar aprendendo”, o que nos permite afirmar que são “doutores aprendizes”. Isto, por si só, não seria demérito pessoal. Mas, não raro, estes aprendizes provocam sérios prejuízos acadêmicos e profissionais a terceiros. Recentemente, presenciei um destes doutores aprendizes, membro de uma banca de especialização, dizendo estar ali para "puxar orelhas" dos futuros especialistas. Este doutor aprendiz, sem publicações em periódicos científicos, carece de preparo para avaliar qualquer trabalho, especialmente, como era o caso de um dos acadêmicos, conhecido autor de várias publicações em periódicos de consagrada reputação científica. O mais contundente, porém, é que o próprio trabalho que apresentava à banca já tinha sido aprovado para publicação pelo Conselho Editorial de ilibado periódico internacional, arbitrado, qualificado pela Capes, com padrão de qualidade assegurado também por dois indexadores científicos: um canadense e outro espanhol. Doutores aprendizes deveriam ao menos ter bom senso suficiente para não se colocarem em situações como estas, que tocam o limite do ridículo.

Entristeço-me sobremaneira ao ver doutores aprendizes aprovados em concursos nas nossas Universidades Públicas. Universidades estas que vêm abandonando sorrateiramente o critério secular do mérito para atender a rasteiras motivações corporativas e ideológicas. Comprometem de forma preocupante, além da qualidade acadêmica, a do corpo docente e o futuro do próprio sistema universitário. O reitor da USP, João Grandino Rodas, identificou e declarou publicamente na Revista Veja de 27 de outubro de 2010, em entrevista intitulada “Zero para o corporativismo”, que, neste caminho, a universidade pública estará “fadada à obsolescência”. Sabiamente, ele critica a “aversão ao mérito” vinda dos improdutivos. Esta autofagia levará ao fim a Universidade Pública. E já se vislumbra isto quando constatamos que nenhuma universidade brasileira aparece nas primeiras colocações dos rankings internacionais.

Há algum tempo tenho visto nossa antes tão respeitada Universidade Pública tomar este rumo. Os concursos “públicos” carecem de transparência, justamente para manter este perverso modo de privilegiar a corporação e a ideologia. Essa proposital falta de transparência tem permitido a aprovação de professores, que deveriam ser cientistas, mas que sequer poderiam receber o status de aprendizes de ciência. São, isto sim, meros mantenedores da inércia. Há o caso de aprovação em concurso para uma Universidade Pública, de candidato que nem ao menos detinha título de mestrado. O estarrecedor é que, a prova discursiva, subjetiva e igual para todos os concorrentes, versava sobre a própria monografia de graduação do referido candidato!

Contaminam-se igualmente as seleções de mestrados e doutorados, para que os próprios professores da instituição, pseudo cientistas, ocupem estas vagas também, obtendo pontos para crescimentos salariais e institucionais. Seleções baseadas em currículo contemplam, inexplicavelmente e até descaradamente, improdutivos em detrimento de produtivos, sem justificativas lógicas ou ao menos razoáveis e sem direito a recurso. Assim, exclui-se da universidade, uma miríade de cientistas férteis e incham-se os quadros de aprendizes com título de “doutor”.

O mérito morre e algo sobrevive em seu lugar. Hoje, esta universidade serve ao seu funcionário, ao professor, à corporação e não mais ao aluno ou à população que a sustenta.

Surge o perfil da Universidade de baixíssima e decrescente qualidade, enquanto doutores aprendizes, recebedores de salários incompatíveis com sua pouca ou nenhuma produção, continuam sendo autorizados a dar seus “puxões de orelha” em quem de fato produz.

Quando ouço que o Brasil é maior que esta decrepitude do poder público atual, faço um grande esforço para acreditar e ter esperanças no futuro. Quero acreditar que nosso país está acima destes crimes que se cometem intra-muros dos templos de ensino e que, de alguma forma, sobreviverá a isto e um dia voltaremos a ter o mérito como critério absoluto de escolha.

13 de dezembro de 2012

Zouk e educação

Recentemente li um trabalho que discute a questão do Zouk na educação formal e não formal. É mais um texto que pode ser útil como referência bibliográfica. O título do artigo é "O Zouk como estratégia para a mediação da dança no ensino formal e não formal", publicado no número 170 de 2012 da revista científica EFdeportes, Buenos Aires, Argentina. 

As autoras são: 

Paula Carolina Teixeira Marroni e 
Marisa Feijó.




Confira em:
http://www.efdeportes.com/efd170/o-zouk-como-danca-no-ensino-formal.htm

19 de outubro de 2012

Vania Andreassi, autoridade em Tango

Há mais de 10 anos, quando um repórter da Gazeta do Povo (Curitiba, Paraná) me pediu para falar de tango, não pude aventurar-me por falta de conhecimento e vivência nesta dança, indiquei Vania Andreassi. Hoje, faria o mesmo. Considero-a uma autoridade nesta área, uma referência, com uma experiência digna de respeito.

É uma profissional que conhece muitos tangos, de palcos e de salões, de Brasis e de Argentinas. Formada em Dança, dançarina premiada, professora, palestrante, organizadora de eventos, de programas de rádio e televisão entre tantas outras raridades. Sua contribuição, compartilhando com o público a a vasta experiência que adquiriu, é valiosa.

Conheça um pouquinho de seu trabalho assistindo aos vídeos abaixo, que trazem aspectos importantes sobre orquestras de tango, a poesia da dança (Lunfardo), o abraço, o que é importante para quem ensina, tópicos sobre prática social e palco, a emoção da dança, e sobre a própria Vania Andreassi.

18 de outubro de 2012

Sobre “Pequenos passos, grande saúde”


Desde o lançamento da revista Dança em Pauta, acompanho as publicações. 


Uma das colunas mais interessantes do periódico dedica-se a um tema de importância indiscutível: “Dança e Saúde”. A autora da coluna é Izabela Lucchese Gavioli, médica, especialista em Reumatologia e Medicina do Esporte, mestranda em Artes Cênicas, atuante e estudiosa sobre os benefícios que a dança pode trazer e também as lesões decorrentes dela. 


Seus artigos apresentam assuntos pouco ou nada abordados pela literatura tradicional. Ontem foi publicado em sua coluna o texto “Pequenos passos, grande saúde”. Com muita qualidade, como é o padrão da autora, abordou questões seríssimas sobre a saúde infantil na sociedade contemporânea e algumas das contribuições que podem ser dadas pela prática da Dança de Salão. Vejo a publicação também como um raro registro a respeito dos problemas que podem haver no trabalho com crianças, quando feito por pessoas sem formação e que desconhecem noções sobre o corpo humano e seu desenvolvimento. Todos os profissionais que trabalham com crianças deveriam “estudar” o texto de Izabela e refletir sobre cada uma de suas ações. Muitos dos danos provocados por profissionais despreparados seriam evitados, se a pragmática da leitura de materiais deste gabarito fosse uma realidade. 


Deixo aqui meus parabéns à autora que nos brinda ainda, com a coragem de tecer crítica à prática de passos aéreos em salões, que para muitos ainda é razão de fúria, provocando defesas emocionadas, às vezes até desprovidas de lógica.


Confira em: http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/pequenos-passos-grande-saude/

14 de outubro de 2012

‘Um baile no Cassino’ x ‘Un baile en la Casa de Gobierno’: indícios de uma fraude

No dia 30 de agosto deste ano postei neste blog as primeiras descobertas sobre uma imagem com características de fraude, publicada como sendo o Cassino Fluminense, no livro "Salões e Damas do Segundo Reinado", de Wanderley Pinho. Nesta postagem informei que disponibilizaria um artigo mais detalhado. Desta forma, as investigações que se seguiram foram organizadas e estão disponíveis no artigo científico "‘Um baile no Cassino’ x ‘Un baile en la Casa de Gobierno’: indícios de uma fraude", disponível em: http://www.efdeportes.com/efd173/um-baile-no-cassino-indicios-de-uma-fraude.htm.

11 de outubro de 2012

Dança de Salão e o dia criança

Outubro é um mês particularmente especial e uma das razões é que inclui o dia da criança. Inspirada por esta  circunstância e por sugestão da editora Keyla Barros da revista Dança em Pauta, publico o artigo: "A aventura infantil na Dança de Salão" (confira em: http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/a-aventura-infantil-na-danca-de-salao/). Este artigo traz uma pitada das experiências que vivi durante anos com o ensino da Dança de Salão no contra turno da Educação Básica, em instituições de ensino públicas e particulares. Oportunizar a vivência desta arte à crianças, adolescentes e jovens, de forma responsável, é uma grande aventura que resulta em surpresas incríveis, marcantes e que nos permitem sentir o que é participar da sociedade de forma efetiva.

14 de setembro de 2012

Roubo intelectual


Admito que hoje, irritei-me profundamente. No mesmo dia, deparo-me com um livro que jamais deveria ter sido publicado e uma criança, de doze anos, dizendo que não precisa autorização para publicar fotos, sem fonte, que não são suas, em seu blog, porque todos fazem isto. Sem falar que nas semanas anteriores perdi horas de meu tempo livre investigando um desenho que se dizia ser do salão de danças do Cassino Fluminense, mas, era uma fraude, pois tratava-se de uma imagem adulterada do pátio de um palácio chileno onde ocorria um baile. Isto, em um livro cuja primeira edição data de 1942.

Recentemente, Marco Antonio Perna publicou um artigo intitulado “Plágio ou colagem? Em textos de dança de salão”, no Jornal Falando de Dança, de setembro, edição 60, página 8. Ele fez referência a um livro repleto de erros, plágios e colagens. Hoje, tive acesso a este livro e fiquei chocada, pior do que imaginei. Além de muitos desacertos, constatei cópias exatas de textos de outras obras, algumas com citação, outras sem e outras ainda, com a fonte errada. Sem falar em frases com significado diverso do constante no que foi apontado como fonte. A leitura do livro revela, por si só, este novo modo de “escrever”, a cada parágrafo, ou frase, um estilo linguístico diferente.

Infelizmente, este tipo de obra tem se multiplicado. Mas, acredito que a própria internet trará, com o tempo, mecanismos para barrar este tipo de conduta injusta e sorrateira. Imagino que um dia, por exemplo, quando o plágio de um texto, ou do que for, tornar-se público, terá um link automático para a publicação original, mostrando claramente ser uma cópia.

Em algum momento, a humanidade terá que entender uma coisa simples: plagiar é, primeiramente, imoral, depois, conforme o país, crime, afinal é uma forma de roubar para si o que não é seu. O dia que esta consciência houver nos adultos, nossas crianças, que hoje já estão criando seus blogs, não dirão por aí, com base em fartos exemplos, que, para copiar sem nem indicar a fonte “não precisa autorização, todo mundo faz isto”. 

Então, vai uma dica para o leitor saber se está lendo um livro ou outro material plagiado. Abra o Google, no campo de busca digite uma frase do material que está lendo, em seguida, “enter” e observe o resultado. Faça isto com várias frases e note se houve cópia, se foram feitas alterações cosméticas ou se o texto não está na internet. Se encontrar alguma coincidência de texto, verifique a autoria e a data, que revelarão qual é plágio. O mesmo vale para figuras, digite os dados que tem disponíveis sobre ela e use o buscador de imagens do Google.

Claro, isto é uma dica básica, que tem funcionado muito bem, inclusive para professores e pais verificarem trabalhos escolares ou blogs plagiados e, desde cedo, ensinarem a seus alunos e filhos alguns valores básicos de um ser humano íntegro.

A dica para os plagiadores é que se cuidem, repensem seus atos e mudem. Se não por tomada de consciência, porque dia a dia a tecnologia aumenta as chances de experimentarem situações vexatórias e terem dissabores com a lei.

13 de setembro de 2012

Conceitos e definições para Dança de Salão


É sabido que a cientificidade de uma área exige o uso de uma terminologia que não seja ambígua, de denominações plurivalentes e múltiplas, nem utilize termos homônimos, polissêmicos e sinônimos. Entretanto, na área da Dança de Salão, esta base não está estabelecida, inviabilizando a segurança de seu ensino, a precisão e unicidade da comunicação profissional.

Mês passado publiquei o artigo “Dança de salão, uma análise das referências bibliográficas utilizadas na produção científica” (http://www.efdeportes.com/efd171/danca-de-salao-na-producao-cientifica.htmregistrando o fato de que, por exemplo, um mesmo termo é utilizado para conceitos distintos.

Para iniciar, com alguma consistência, o enfrentamento desta questão, trago algumas propostas no artigo: “Conceitos e definição de Dança de Salão” (http://www.efdeportes.com/efd172/conceitos-e-definicao-de-danca-de-salao.htm). Este trabalho traz uma retomada histórica focada no que caracteriza a Dança de Salão, uma proposta de definição e sua comparação com modalidades adjacentes para as quais são sugeridos conceitos.