27 de abril de 2013

Durante 6 minutos acreditei que sabia dançar Tango!

Marco Antonio Perna, em seu livro Samba de Gafieira, a História da Dança de Salão Brasileira, de 2005, sugere a existência de 5 tribos na Dança de Salão:

1 – Samba de Gafieira, Bolero Carioca e Soltinho (Swing);
2 – Tango argentino;
3 – Lambada/Zouk;
4 – Salsa e Merengue;
5 – Forró.

Sempre achei esta proposta uma sacada. E minha escolha, desde o início, foi o Samba, Bolero e Soltinho. Inicialmente por achar que era um dever valorizar a dança do nosso país, depois, por encanto. O Zouk também me apaixonou, mas, como me acidentei em uma dança com consequências permanentes, não há mais como explorá-lo plenamente. Por fim, esta escolha também foi uma decisão por não aprender Tango. Inclusive porque ao ver pessoas da tribo do Samba dançando Tango, sentia uma contaminação visível e nitidamente difícil de controlar. Como alguns professores curitibanos que começaram a dançar no tempo em que houve o auge da Lambada e, por exemplo, não conseguem dançar um Bolero sem que vejamos Lambada.

A vida dá muitas voltas, como todos sabemos, e hoje, circunstâncias particulares me fizeram olhar para o Tango. Olhar. Ainda não aprendi nada.

Como conheço Vania Andreassi há muitos, muitos anos mesmo, e considero-a uma referência de seriedade em Tango para salão, procurei-a. Fomos, meu marido, eu e minha grande parceira, minha irmã, conhecer o espaço Todo Tango, que merecerá uma postagem especial em outra ocasião. Seja como for, a ideia era assistir. Veio um bolero, claro, não tinha como não dançar. Um soltinho, lá fomos para a pista. E começaram os Tangos, cuja expectativa era assistir. Que linda visão. O espaço abrangia uma amplitude de faixa etária fantástica. Um casal nos emocionou e foi impossível não arriscar uma conversa quando vieram para suas mesas. E o cavalheiro deste casal tirou minha irmã para dançar. Foi incrível, a visão de fora, leiga, era de uma dama que há muito tempo dançava Tango. Depois, tive o privilégio de ser tirada por este cavalheiro. Dois Tangos. Espantoso, me senti como se soubesse dançar Tango! Este é o tipo de cavalheiro que no artigo “Cavalheiros são veículos” (Revista Dança em Pauta, 18 de janeiro de 2011), me referi como o que faz a dama se sentir uma joia rara.

Dancei com muitos cavalheiros experientes em palco e, nem sempre eles eram exímios no salão. Muitas vezes me faziam sentir que não sabia nada de dança. Levei anos para perceber, eram eles que não sabiam conduzir. Este cavalheiro, dos dois primeiros Tangos da minha vida, me fez dançar como se eu soubesse o que é um Tango, e eu não sei. Parecia uma mágica. Não é qualquer cavalheiro que tem a capacidade de fazer isto com uma dama que não conhece a dança.

Obrigada por esta sensação indescritível, por me manter acreditando que sabia dançar Tango durante 6 minutos... Paulo Roberto Barcala.

26 de abril de 2013

Sexo e Dança de Salão

Não é de hoje que esta relação misteriosa entre sexo e Dança de Salão me encanta. 

Como divulguei há alguns dias, um novo artigo estaria para sair. Ontem, foi publicado na Revista Dança em Pauta, sob o título: "O que Dança de Salão tem a ver com sexo?". A edição do artigo feita pela Revista Dança em Pauta ficou belíssima. De brinde, ao final do texto, está disponibilizado um vídeo do documentário “Instintos – O lado selvagem do comportamento humano”, produzido pela rede BBC, de Londres, citado no artigo.





Confira o artigo em: http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/o-que-a-danca-de-salao-tem-a-ver-com-sexo/

19 de abril de 2013

Sertanejo é Dança de Salão?

Esta semana tive a curiosidade de saber que Dança de Salão o público curitibano mais procura em escolas de dança. Como estas instituições vivem deste público, certamente ofertam o que é mais procurado por ele, uma questão natural do mercado. 

Fiz uma busca no Google com as palavras chave: escolas Dança de Salão Curitiba. Em seguida elenquei as dez primeiras escolas cujos sites foram indicados em links não patrocinados. 

São elas na ordem em que aparecem: 
  1. Dance Sempre
  2. Almir Lima
  3. Cido Arruda
  4. Carlinhos Moro e Katia Souza
  5. Flor de Lotus
  6. Sandra Ruthes
  7. Walmir Secchi
  8. Edson Carneiro
  9. Gestual
  10. Oito Tempos
Acessei todos os sites e anotei os nomes das danças que ofereciam como Dança de Salão. Por fim, somei em quantas escolas cada dança foi citada obtendo o seguinte resultado:


Bolero 10
Forró 10
Salsa 10
Samba 10
Sertanejo 10
Tango 10
Zouk 9
Soltinho 7
Cha-cha-chá 6
Valsa 5
Merengue 4
Dança gaúcha 3
Rock 3
West Coast 2
Roda de cassino 2
Milonga 1
Lindy hop 1
Lambada 1
Discoteca 1

Seis danças são oferecidas por todas as 10 escolas, provavelmente, por serem as mais procuradas: Bolero, Forró, Salsa, Samba, Sertanejo e Tango.

O que chama a atenção entre as danças mais procuradas é a denominada "Sertanejo", que não é encontrada na literatura como uma Dança de Salão. Ao retomarmos algumas definições percebemos algo curioso:

Dança de Salão – é a arte conservacionista que se universaliza em práticas sociais, não cênicas, nem esportivas, consistindo na interpretação improvisada da música através dos movimentos dos corpos de um casal independente, quando o cavalheiro conduz a dama.
Exemplos: Samba de Gafieira, Bolero Carioca, Tango, Lambada, Swing (Soltinho).

Dança Social – é a dança recreativa de prática social, não cênica, nem competitiva, sem natureza artística, desprovida de técnica elaborada ligada a sua origem, que se universaliza e consiste em movimentos dos corpos de um casal independente, sob a condução do cavalheiro.
Exemplo: Curinga.

Dança Popular – é uma manifestação cultural de um povo, mantida por prática social, passível de evolução, que não se universaliza, não é competitiva nem cênica. Não é dançada necessariamente com trajes típicos.
Exemplos: Cueca, no Chile, Frevo, no Brasil, ambas danças ainda praticadas; Waltzer, dançada popularmente por volta do século XV em algumas regiões como a periferia de Viena, era mais grosseira que a Valsa, entretanto, deu origem a ela quando adaptada para os salões aristocráticos.

Discoteca – é a dança em que não se formam pares enlaçados, cada indivíduo movimenta-se aleatoriamente, balançando o corpo, pode-se dançar sozinho, um de frente para o outro ou formando círculos de variados tamanhos. Segundo Perna (2005), consiste “em dançar separado da parceira, sacudindo e balançando, com rebolados e amplos movimentos, além de muitas caras e bocas”.
Exemplo: dança da discoteca.

Dança Tradicionalista Social - é dança preservacionista de prática social, não cênica, nem competitiva. Pode ser dançada socialmente com trajes típicos.
Exemplo: Danças Gaúchas disseminadas pelos CTGs.

Dança da Moda – dança que se universaliza por mecanismos midiáticos.
Exemplos: Macarena, Axé.

Fonte dos conceitos: “Conceitos e definição de Dança de Salão”. Revista Lecturas Educación Física y Deportes. Buenos Aires. Ano 17. Número 172. Setembro, 2012. Maristela Zamoner

Analisando estes dados notamos que o Sertanejo não se encaixa com precisão no conceito de Dança de Salão uma vez que não é uma arte conservacionista, ou seja, que evolui guardando qualidades técnicas que remontam a sua origem. É uma dança mais compatível com a definição de Dança Social ou talvez até de Dança da Moda. Outras danças elencadas também fogem da definição de Dança de Salão: Danças gaúchas e Discoteca.

Relembrando o artigo sobre o Soltinho, de Cristovão Christianis, notamos ainda que de fato as escolas não estão oferecendo esta dança em sua totalidade uma vez que apenas 7 delas o citam.

Assim, notamos que o público ainda não conhece bem o que é a Dança de Salão. Mas, o fato das escolas oferecerem o Sertanejo é positivo uma vez que atrai este público oportunizando a aproximação com a Dança de Salão e o contato com suas belezas e encantos.

15 de abril de 2013

Anti-horário ainda é regra de salão?

Este fim de semana estive com meu marido em um baile na cidade de União da Vitória, por sinal uma cidade deliciosa. Foi um evento social familiar belíssimo, muito bem organizado e com anfitriões encantadores. O baile abriu com três valsas seguidas por um forró em que um casal destacou-se por ser o único, no salão repleto de bailantes, a seguir o sentido anti-horário. Também foi interessante notar que este casal, na faixa etária de cerca de 30 anos de idade, dançava uma base de dois passos para um lado e um para outro, ao som do Forró. Notava-se um modo de dançar característico da prática das danças gaúchas, o que, possivelmente, explica o fato de ser o único casal a seguir o sentido anti-horário.
Milton Saldanha, editor do Jornal Dance já publicou diversas matérias bastante enfáticas sobre bailes em que poucos respeitam o sentido anti-horário. Acredito que ele discuta esta questão em seu jornal há quase duas décadas, apontando várias causas. O autor exclui de sua crítica o iniciante e ressalta o fato de que ocorrem falhas no ensino uma vez que os alunos aprendem a fazer os passos sem se deslocarem. Mas, se lembrarmos bem, muito antigamente, antes de se proliferarem escolas de dança, haviam bailes em que o sentido anti-horário era respeitado, todos conheciam esta regra, não raro tendo aprendido em casa. Mas, o tempo correu, gerações se passaram, os bailes mudaram e os salões também. Assistindo a dança em um salão como foi neste fim de semana, chego a me perguntar se a regra de seguir dançando no sentido anti-horário em um salão ainda existe.

11 de abril de 2013

Soltinho, a ararinha azul de Cristovão Christianis?

Figura 1: Cyanopsitta spixii. Proceedings of the Zoological Society of London 1878. Imagem em Domínio Público

A revista Dança em Pauta acaba de publicar o artigo "Soltinho: uma dança em risco de extinção", de Cristovão Christianis.

Primeiramente, sobre o autor, lembro que em agosto de 2011 publicamos em conjunto o artigo "Reflexões sobre o Bolero e sua história", uma empreitada extremamente produtiva da qual jamais esquecerei. Ao longo do desenvolvimento deste trabalho pude perceber a seriedade de Cristovão, sua inteligência para pesquisa e percepção aguçada sobre a Dança de Salão. Noto que seu novo artigo reafirma estas características, independente de seu cunho não científico. Ele percebeu algo que vem gradativamente ocorrendo com o Soltinho e soube materializar com excelência em seu texto. Realmente, o Soltinho merecia mais respeito, se não por nada, devido ao fato de ser uma obra de arte genuinamente brasileira. A colocação de Cristovão, embora sutil, deixa clara outra realidade, este preconceito parece sim ter origem na sala de aula. É, portanto, um excelente tema de reflexão para professores, formadores de opinião que demonstram desprezo por esta dança diante de seus alunos.

Afinal, o Soltinho é parte de nossa identidade e seria mais inteligente, e justo, agirmos no sentido de levá-lo para além de nossos limites geo-políticos do que simplesmente pisá-lo para abrir espaço a estrangeirismos. Claro que todas as danças devem ter seu espaço, desde que para isto não seja necessário extinguir uma dança "nativa" em favor de uma "exótica", emprestando os consagrados termos biológicos como o próprio Cristovão sabiamente fez. Um ser vivo que vem de outro território, portanto é exótico, e começa a se multiplicar prejudicando os nativos é considerado um bioinvasor e exige medidas austeras de controle para preservação da biodiversidade local. No contexto da Dança de Salão, se uma dança nativa começa a ser prejudicada por danças exóticas, passa a ser pertinente pensar em medidas de controle de exóticas invasoras e/ou recuperação da dança nativa. Afinal, o conceito de biodiversidade moderno abarca a cultura que, por sua vez, engloba a Dança de Salão. Logo, falar em possibilidade de extinção de uma dança, independente disto parecer alarmista, é falar em perda de biodiversidade cultural.

Pensemos por um momento no caso da ararinha azul (Cyanopsitta spixii), nativa do Brasil, exposta a pressão ambiental que o Soltinho sofre agora, forçando a redução de sua expressão. A situação chegou ao ponto de ser declarada extinta na natureza brasileira em 2002. Mas, no exterior, este animal é criado em quantidades significativas. A pressão sobre a ararinha azul pode muito bem ser comparada ao que começa a ocorrer com o Soltinho. Por isto precisamos refletir com urgência se queremos que o Soltinho seja mais uma ararinha azul, um nativo extinto do salão brasileiro e talvez, com sorte e vergonha, conservado em cativeiros estrangeiros.

Considero este artigo não só uma brilhante iniciativa, mas, uma importante revelação de um "assédio cultural" perigoso contra o Soltinho. É tempo de revermos com cuidado esta questão e iniciarmos um movimento sério de "repovoamento" do Soltinho para que não seja conveniente avaliar possibilidades recomendáveis de controle de invasores. É momento para sua revitalização, valorização e divulgação.

Parabéns Cristovão Christianis. Acredito que seu artigo seja um divisor de águas na história do Soltinho no Brasil.

Confira o artigo em: http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/soltinho-uma-danca-em-risco-de-extincao/


9 de abril de 2013

Sexo e Dança de Salão

Este assunto sempre me interessou. Há anos tem sido motivação para pesquisa. Ao que tudo indica, embora o tema não motive muita gente, não estou só. 

Recentemente pude rever o documentário “Deepest Desires” da série “Human Instinct”, produzida pela BBC em 2002. O episódio, já na abertura, mostra casais dançando em um salão enquanto o apresentador, professor Robert Winston, introduz o complexo mundo da atração sexual. Há muito tempo, lembro bem, outra excelente produção que trazia a Dança de Salão para ilustrar assuntos científicos sobre a sexualidade humana foi exibida no episódio "Para amar e respeitar", de Grandes Séries: "A Ciência do Sexo", trazida ao Brasil pelo canal de TV à cabo GNT, em 2004. A série toda é baseada no livro “Anatomy of Love”, um best seller de 1993 da antropóloga norte americana Helen Fisher, especializada em sexualidade humana.

Estes dois documentários são apenas exemplos reveladores do inevitável olhar biológico sobre a Dança de Salão. 

Depois de uma produtiva provocação da editora Keyla Barros da Revista Dança em Pauta, comecei a trabalhar um novo artigo sobre o assunto, que deve ser publicado nas próximas semanas.



Deepest Desires, confira em:



17 de março de 2013

Dirty Dancing - cena deletada

Vinte anos depois do lançamento do filme Dirty Dancing, que se deu em 1987, divulgou-se amplamente uma cena que fora deletada do filme original. Nesta cena há uma dança sensual protagonizada por Jennifer Grey e Patrick Swayze nos papéis de Baby e Johnny, respectivamente. A música escolhida para a cena foi "She's like the wind" e os atores a interpretam semi-nus, cavalheiro sem camisa e dama apenas com roupas íntimas, representando uma dança prelúdio do sexo.

Nos últimos anos esta cena chegou a ser disponibilizada no Youtube. É interessante notar que o filme traz muitas cenas sensuais e algumas até com discreto tom de vulgaridade, embora produzidas em uma atmosfera de muito bom gosto. Vendo hoje esta cena deletada, sua beleza, a revelação que faz de uma dança-sexo sublime e comparando-a com outras cenas do filme, pode ficar até difícil entender a razão que teria levado a decisão por excluir do filme o que teria sido uma das cenas mais lindas e mais reveladoras para a dança.

Confira em: 



9 de março de 2013

Fotografia do Cassino Fluminense enviada por leitor do Rio de Janeiro

Na semana passada um leitor do Rio de Janeiro registrou uma mensagem nos comentários da postagem deste blog, intitulada "Imagem do Cassino Fluminense é uma FRAUDE", do dia 30 de agosto de 2012. Nesta mensagem, o leitor afirma que a figura publicada no livro de Pinho "não tem nada a ver" com o salão onde funcionara o Cassino Fluminense. Em seguida, oferece-se para enviar uma foto da imagem do salão principal do Clube do Automóvel, onde funcionou o Cassino Fluminense. Em contato com o leitor, recebi uma imagem de um folheto do Automóvel Clube. 

Disponibilizo abaixo a imagem enviada pelo leitor (Figura 1), juntamente com o desenho publicado no livro "Salões e Damas do Segundo Reinado", de Wanderley Pinho, adulterado, sob a legenda "Um baile no Cassino" (Figura 2) e seu original, a litografia de Pierre Frederic Lehnert, datada de 1841, que consta no “Atlas de la historia física y política de Chile”, publicado por Claude Gay (1854). Reforçando, o início das atividades do Cassino Fluminense é registrado em 1845, portanto, posterior à datação da produção da imagem do livro de Pinho, mais um dado que demonstra a impossibilidade da imagem corresponder a "Um baile no Cassino".

Relembrando, o contato por correspondência eletrônica oficial com a “Oficina de documentación y registros patrimoniales” do Museu Histórico Nacional do Chile, no dia 4 de setembro de 2012, revelou que, efetivamente a Figura 3 retrata um baile ocorrido no pátio deste museu, que no período colonial foi a “Real Audiencia” e “Casa de Gobierno” do Chile. Na mesma correspondência foi informado ainda que em 2011 comemorou-se o centenário do museu e o pátio foi decorado com este desenho de Lehnert (Figura 3).

Figura 1 - Folheto do Automóvel Clube, enviado por um leitor do Rio de Janeiro.


Figura 2 - Foto do livro "Salões e Damas do Segundo Reinado", de Wanderley Pinho, edição de 1970, mostrando a página com a suposta imagem de um Baile no Cassino.


Figura 3 - Imagem do Atlas de la historia física y política de Chile, publicado por Claude Gay, em 1854. Pintura datada de 1841 do pintor Pierre Frederic Lehnert, em comemoração do aniversário da independência do Chile, que ocorrera em 1818.



Você pode ver detalhes sobre a pesquisa que revelou a adulteração da Figura 3, transformando-a na Figura 2, no artigo "‘Um baile no Cassino’ x ‘Un baile en la Casa de Gobierno’: indícios de uma fraude", que encontra-se publicado na Revista Científica argentina "Lecturas: Educación Física y Deportes" número 173, de outubro de 2012. Confira em: 
http://www.efdeportes.com/efd173/um-baile-no-cassino-indicios-de-uma-fraude.htm

24 de fevereiro de 2013

Filme: "O lado bom da vida"

Esta semana fui ao cinema com minha irmã. Pela indicação dos meus pais, assistimos "O lado bom da vida". 

O filme é muito interessante. Basicamente, é sobre como duas pessoas com problemas psiquiátricos encontraram disciplina e foco ao objetivar participar de um concurso de Dança Esportiva*. As cenas de dança não são as mais encantadoras, mas, tem seu valor justamente pela normalidade que encerram. Chamou-me atenção a fuga do padrão de filmes que relatam o drama de parceiros que treinam exaustivamente para ganhar uma competição. O objetivo singelo é conquistar apenas uma nota 5 para sua dança, e a vibração que esta conquista trouxe, não deixou nada a desejar se comparada à comemoração dos vencedores. 

Vale a pena ver, o filme teve premiações de melhor filme, diretor, roteiro e atriz. Mas, para meu nível de conhecimento na área, o ponto alto foi de Robert De Niro, que interpretou brilhantemente uma cena ímpar, quando sua personagem, o pai do protagonista, acorda o filho para falar de sua necessidade em dedicar mais tempo na sua companhia.

* Ver definição em: http://www.efdeportes.com/efd172/conceitos-e-definicao-de-danca-de-salao.htm

28 de janeiro de 2013

Qualidade de vida dos praticantes de dança de salão

Hoje pude apreciar o artigo "Qualidade de vida dos praticantes de dança de salão", da autoria de Zenite Machado e coautoras, publicado em fevereiro de 2012 pela Revista Brasileira de Atividade Física e Saúde. 

Trata-se de um artigo que se diferencia por alguns aspectos muito interessantes. 

Destaco sobre a qualidade desta pesquisa, primeiramente, o tamanho da amostra que incluiu 402 indivíduos.  

E não foi o único diferencial em trabalhos na área de Dança de Salão que pude constatar, é ainda uma das poucas pesquisas em que optou-se por realizar uma análise estatística. 

Registro aqui meus parabéns à equipe autora.

Confira na íntegra: http://www.sbafs.org.br/_artigos/495.pdf

25 de janeiro de 2013

Quantos pesquisadores são necessários em uma publicação?

Tenho notado um crescente abuso de autores em artigos científicos, inclusive na área da Dança de Salão.

Muitas vezes, pesquisas simples, visivelmente factíveis por um único pesquisador, apresentam como autores, seis, sete, oito ou mais pesquisadores. É fato que estabeleceu-se um "mercado" acadêmico em que contam-se pontos para cada trabalho que um pesquisador tem, criando-se uma espécie valor quantitativo para a produção acadêmica. Assim, pesquisadores trocam favores, colocando em seus artigos nomes de colegas que, em troca, retribuem o mesmo favor. Isto permite que todos aumentem suas pontuações, o que, geralmente, significa possibilidade de mais recursos, não raro, públicos. 

Mas, é preciso lembrar que este tipo de negociata é uma enganação, é mentira científica. Então, percebo que a pergunta ao título desta postagem pode ser sabiamente substituída por outra: "Quantos pesquisadores são desnecessários em uma publicação?

Valorizo particularmente quem tem coragem de publicar seus artigos sozinho (raridade atualmente) e também sabe trabalhar em equipe, publicando com um ou outro colega que de fato participou da pesquisa. 

Vejo que é tempo de questionar os cabides de autoria que estão se proliferando, da mesma forma que é preciso questionar a ética desta conduta.

Mérito, o descarte

Há algum tempo, uma situação lamentável na área da Dança de Salão motivou-me a produzir o artigo: "Doutores aprendizes". Hoje, nova circunstância faz-me lembrar o descrédito do mérito em nosso país, sua penetração no meio acadêmico e o preço que todos pagaremos a longo prazo.

Resta-nos voltar os olhos para a reflexão, na esperança de que os trilhos da integridade sejam, um dia, reencontrados. 

Por isto, compartilho aqui o artigo citado, na íntegra, originalmente publicado em: http://www.protexto.com.br/texto.php?cod_texto=1391.

Doutores aprendizes 


No site da USP, uma das mais respeitadas universidades do Brasil, na área “Divulgação da Tese”, consta a afirmação: “Ao escrever sua tese, o aluno estará aprendendo a escrever um artigo”. Entretanto, uma pesquisa simples mostra que, inexplicavelmente, uma vasta legião de doutorandos, e mesmo doutores, nunca publicou sequer um único artigo científico, nem mesmo de suas próprias teses, mantendo-se, portanto, na condição de “estar aprendendo”, o que nos permite afirmar que são “doutores aprendizes”. Isto, por si só, não seria demérito pessoal. Mas, não raro, estes aprendizes provocam sérios prejuízos acadêmicos e profissionais a terceiros. Recentemente, presenciei um destes doutores aprendizes, membro de uma banca de especialização, dizendo estar ali para "puxar orelhas" dos futuros especialistas. Este doutor aprendiz, sem publicações em periódicos científicos, carece de preparo para avaliar qualquer trabalho, especialmente, como era o caso de um dos acadêmicos, conhecido autor de várias publicações em periódicos de consagrada reputação científica. O mais contundente, porém, é que o próprio trabalho que apresentava à banca já tinha sido aprovado para publicação pelo Conselho Editorial de ilibado periódico internacional, arbitrado, qualificado pela Capes, com padrão de qualidade assegurado também por dois indexadores científicos: um canadense e outro espanhol. Doutores aprendizes deveriam ao menos ter bom senso suficiente para não se colocarem em situações como estas, que tocam o limite do ridículo.

Entristeço-me sobremaneira ao ver doutores aprendizes aprovados em concursos nas nossas Universidades Públicas. Universidades estas que vêm abandonando sorrateiramente o critério secular do mérito para atender a rasteiras motivações corporativas e ideológicas. Comprometem de forma preocupante, além da qualidade acadêmica, a do corpo docente e o futuro do próprio sistema universitário. O reitor da USP, João Grandino Rodas, identificou e declarou publicamente na Revista Veja de 27 de outubro de 2010, em entrevista intitulada “Zero para o corporativismo”, que, neste caminho, a universidade pública estará “fadada à obsolescência”. Sabiamente, ele critica a “aversão ao mérito” vinda dos improdutivos. Esta autofagia levará ao fim a Universidade Pública. E já se vislumbra isto quando constatamos que nenhuma universidade brasileira aparece nas primeiras colocações dos rankings internacionais.

Há algum tempo tenho visto nossa antes tão respeitada Universidade Pública tomar este rumo. Os concursos “públicos” carecem de transparência, justamente para manter este perverso modo de privilegiar a corporação e a ideologia. Essa proposital falta de transparência tem permitido a aprovação de professores, que deveriam ser cientistas, mas que sequer poderiam receber o status de aprendizes de ciência. São, isto sim, meros mantenedores da inércia. Há o caso de aprovação em concurso para uma Universidade Pública, de candidato que nem ao menos detinha título de mestrado. O estarrecedor é que, a prova discursiva, subjetiva e igual para todos os concorrentes, versava sobre a própria monografia de graduação do referido candidato!

Contaminam-se igualmente as seleções de mestrados e doutorados, para que os próprios professores da instituição, pseudo cientistas, ocupem estas vagas também, obtendo pontos para crescimentos salariais e institucionais. Seleções baseadas em currículo contemplam, inexplicavelmente e até descaradamente, improdutivos em detrimento de produtivos, sem justificativas lógicas ou ao menos razoáveis e sem direito a recurso. Assim, exclui-se da universidade, uma miríade de cientistas férteis e incham-se os quadros de aprendizes com título de “doutor”.

O mérito morre e algo sobrevive em seu lugar. Hoje, esta universidade serve ao seu funcionário, ao professor, à corporação e não mais ao aluno ou à população que a sustenta.

Surge o perfil da Universidade de baixíssima e decrescente qualidade, enquanto doutores aprendizes, recebedores de salários incompatíveis com sua pouca ou nenhuma produção, continuam sendo autorizados a dar seus “puxões de orelha” em quem de fato produz.

Quando ouço que o Brasil é maior que esta decrepitude do poder público atual, faço um grande esforço para acreditar e ter esperanças no futuro. Quero acreditar que nosso país está acima destes crimes que se cometem intra-muros dos templos de ensino e que, de alguma forma, sobreviverá a isto e um dia voltaremos a ter o mérito como critério absoluto de escolha.

13 de dezembro de 2012

Zouk e educação

Recentemente li um trabalho que discute a questão do Zouk na educação formal e não formal. É mais um texto que pode ser útil como referência bibliográfica. O título do artigo é "O Zouk como estratégia para a mediação da dança no ensino formal e não formal", publicado no número 170 de 2012 da revista científica EFdeportes, Buenos Aires, Argentina. 

As autoras são: 

Paula Carolina Teixeira Marroni e 
Marisa Feijó.




Confira em:
http://www.efdeportes.com/efd170/o-zouk-como-danca-no-ensino-formal.htm

19 de outubro de 2012

Vania Andreassi, autoridade em Tango

Há mais de 10 anos, quando um repórter da Gazeta do Povo (Curitiba, Paraná) me pediu para falar de tango, não pude aventurar-me por falta de conhecimento e vivência nesta dança, indiquei Vania Andreassi. Hoje, faria o mesmo. Considero-a uma autoridade nesta área, uma referência, com uma experiência digna de respeito.

É uma profissional que conhece muitos tangos, de palcos e de salões, de Brasis e de Argentinas. Formada em Dança, dançarina premiada, professora, palestrante, organizadora de eventos, de programas de rádio e televisão entre tantas outras raridades. Sua contribuição, compartilhando com o público a a vasta experiência que adquiriu, é valiosa.

Conheça um pouquinho de seu trabalho assistindo aos vídeos abaixo, que trazem aspectos importantes sobre orquestras de tango, a poesia da dança (Lunfardo), o abraço, o que é importante para quem ensina, tópicos sobre prática social e palco, a emoção da dança, e sobre a própria Vania Andreassi.

18 de outubro de 2012

Sobre “Pequenos passos, grande saúde”


Desde o lançamento da revista Dança em Pauta, acompanho as publicações. 


Uma das colunas mais interessantes do periódico dedica-se a um tema de importância indiscutível: “Dança e Saúde”. A autora da coluna é Izabela Lucchese Gavioli, médica, especialista em Reumatologia e Medicina do Esporte, mestranda em Artes Cênicas, atuante e estudiosa sobre os benefícios que a dança pode trazer e também as lesões decorrentes dela. 


Seus artigos apresentam assuntos pouco ou nada abordados pela literatura tradicional. Ontem foi publicado em sua coluna o texto “Pequenos passos, grande saúde”. Com muita qualidade, como é o padrão da autora, abordou questões seríssimas sobre a saúde infantil na sociedade contemporânea e algumas das contribuições que podem ser dadas pela prática da Dança de Salão. Vejo a publicação também como um raro registro a respeito dos problemas que podem haver no trabalho com crianças, quando feito por pessoas sem formação e que desconhecem noções sobre o corpo humano e seu desenvolvimento. Todos os profissionais que trabalham com crianças deveriam “estudar” o texto de Izabela e refletir sobre cada uma de suas ações. Muitos dos danos provocados por profissionais despreparados seriam evitados, se a pragmática da leitura de materiais deste gabarito fosse uma realidade. 


Deixo aqui meus parabéns à autora que nos brinda ainda, com a coragem de tecer crítica à prática de passos aéreos em salões, que para muitos ainda é razão de fúria, provocando defesas emocionadas, às vezes até desprovidas de lógica.


Confira em: http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/pequenos-passos-grande-saude/

14 de outubro de 2012

‘Um baile no Cassino’ x ‘Un baile en la Casa de Gobierno’: indícios de uma fraude

No dia 30 de agosto deste ano postei neste blog as primeiras descobertas sobre uma imagem com características de fraude, publicada como sendo o Cassino Fluminense, no livro "Salões e Damas do Segundo Reinado", de Wanderley Pinho. Nesta postagem informei que disponibilizaria um artigo mais detalhado. Desta forma, as investigações que se seguiram foram organizadas e estão disponíveis no artigo científico "‘Um baile no Cassino’ x ‘Un baile en la Casa de Gobierno’: indícios de uma fraude", disponível em: http://www.efdeportes.com/efd173/um-baile-no-cassino-indicios-de-uma-fraude.htm.

11 de outubro de 2012

Dança de Salão e o dia criança

Outubro é um mês particularmente especial e uma das razões é que inclui o dia da criança. Inspirada por esta  circunstância e por sugestão da editora Keyla Barros da revista Dança em Pauta, publico o artigo: "A aventura infantil na Dança de Salão" (confira em: http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/a-aventura-infantil-na-danca-de-salao/). Este artigo traz uma pitada das experiências que vivi durante anos com o ensino da Dança de Salão no contra turno da Educação Básica, em instituições de ensino públicas e particulares. Oportunizar a vivência desta arte à crianças, adolescentes e jovens, de forma responsável, é uma grande aventura que resulta em surpresas incríveis, marcantes e que nos permitem sentir o que é participar da sociedade de forma efetiva.

14 de setembro de 2012

Roubo intelectual


Admito que hoje, irritei-me profundamente. No mesmo dia, deparo-me com um livro que jamais deveria ter sido publicado e uma criança, de doze anos, dizendo que não precisa autorização para publicar fotos, sem fonte, que não são suas, em seu blog, porque todos fazem isto. Sem falar que nas semanas anteriores perdi horas de meu tempo livre investigando um desenho que se dizia ser do salão de danças do Cassino Fluminense, mas, era uma fraude, pois tratava-se de uma imagem adulterada do pátio de um palácio chileno onde ocorria um baile. Isto, em um livro cuja primeira edição data de 1942.

Recentemente, Marco Antonio Perna publicou um artigo intitulado “Plágio ou colagem? Em textos de dança de salão”, no Jornal Falando de Dança, de setembro, edição 60, página 8. Ele fez referência a um livro repleto de erros, plágios e colagens. Hoje, tive acesso a este livro e fiquei chocada, pior do que imaginei. Além de muitos desacertos, constatei cópias exatas de textos de outras obras, algumas com citação, outras sem e outras ainda, com a fonte errada. Sem falar em frases com significado diverso do constante no que foi apontado como fonte. A leitura do livro revela, por si só, este novo modo de “escrever”, a cada parágrafo, ou frase, um estilo linguístico diferente.

Infelizmente, este tipo de obra tem se multiplicado. Mas, acredito que a própria internet trará, com o tempo, mecanismos para barrar este tipo de conduta injusta e sorrateira. Imagino que um dia, por exemplo, quando o plágio de um texto, ou do que for, tornar-se público, terá um link automático para a publicação original, mostrando claramente ser uma cópia.

Em algum momento, a humanidade terá que entender uma coisa simples: plagiar é, primeiramente, imoral, depois, conforme o país, crime, afinal é uma forma de roubar para si o que não é seu. O dia que esta consciência houver nos adultos, nossas crianças, que hoje já estão criando seus blogs, não dirão por aí, com base em fartos exemplos, que, para copiar sem nem indicar a fonte “não precisa autorização, todo mundo faz isto”. 

Então, vai uma dica para o leitor saber se está lendo um livro ou outro material plagiado. Abra o Google, no campo de busca digite uma frase do material que está lendo, em seguida, “enter” e observe o resultado. Faça isto com várias frases e note se houve cópia, se foram feitas alterações cosméticas ou se o texto não está na internet. Se encontrar alguma coincidência de texto, verifique a autoria e a data, que revelarão qual é plágio. O mesmo vale para figuras, digite os dados que tem disponíveis sobre ela e use o buscador de imagens do Google.

Claro, isto é uma dica básica, que tem funcionado muito bem, inclusive para professores e pais verificarem trabalhos escolares ou blogs plagiados e, desde cedo, ensinarem a seus alunos e filhos alguns valores básicos de um ser humano íntegro.

A dica para os plagiadores é que se cuidem, repensem seus atos e mudem. Se não por tomada de consciência, porque dia a dia a tecnologia aumenta as chances de experimentarem situações vexatórias e terem dissabores com a lei.

13 de setembro de 2012

Conceitos e definições para Dança de Salão


É sabido que a cientificidade de uma área exige o uso de uma terminologia que não seja ambígua, de denominações plurivalentes e múltiplas, nem utilize termos homônimos, polissêmicos e sinônimos. Entretanto, na área da Dança de Salão, esta base não está estabelecida, inviabilizando a segurança de seu ensino, a precisão e unicidade da comunicação profissional.

Mês passado publiquei o artigo “Dança de salão, uma análise das referências bibliográficas utilizadas na produção científica” (http://www.efdeportes.com/efd171/danca-de-salao-na-producao-cientifica.htm) registrando o fato de que, por exemplo, um mesmo termo é utilizado para conceitos distintos.

Para iniciar, com alguma consistência, o enfrentamento desta questão, trago algumas propostas no artigo: “Conceitos e definição de Dança de Salão” (http://www.efdeportes.com/efd172/conceitos-e-definicao-de-danca-de-salao.htm). Este trabalho traz uma retomada histórica focada no que caracteriza a Dança de Salão, uma proposta de definição e sua comparação com modalidades adjacentes para as quais são sugeridos conceitos.

30 de agosto de 2012

Imagem do Cassino Fluminense é uma FRAUDE

Nestas últimas semanas fiz uma descoberta realmente interessante ao pesquisar sobre salões de dança. Retomando o livro “Salões e Damas do Segundo Reinado”, de Wanderley Pinho, porque estava intrigada com uma imagem do Cassino Fluminense, notei algo simplesmente incrível.

No livro de Pinho consta, na legenda da referida imagem: “Um baile no Cassino. Litografia da época. A legenda diz erradamente 'Casa del Gobierno'", sem autor, sem data e sem fonte. Ao pesquisar mais profundamente a origem desta obra, descobri que encontra-se no Atlas de la historia física y política de Chile, publicado por Claude Gay, em 1854. Trata-se da foto de uma obra de arte datada de 1826 do pintor F. Lehnert, ambientada no Palácio de La Moneda no Chile, em comemoração do aniversário da independência deste país, que ocorrera em 1818. O Cassino Fluminense foi inaugurado só em 1845. A imagem que consta no livro de Pinho é uma foto da página do atlas onde está a obra de Lehnert.

A figura foi grosseiramente alterada, o título foi excluído, as inscrições existentes no salão, entre o primeiro e o segundo balcões, foram pintadas, provavelmente à mão, de forma a impedirem a leitura dos nomes das batalhas que levaram o Chile à independência e as bandeiras do Chile, penduradas por todo o salão, foram descaracterizadas. Ou seja, o que identificaria a imagem como chilena foi escondido por adulterações sorrateiras.

Não vejo como descobrir quem fez tal insanidade. José Wanderley de Araújo Pinho, o autor do livro, foi historiador e político, chegou a ser prefeito de Salvador, deputado, talvez tenha solicitado uma imagem do Cassino Fluminense a um assessor que teria cometido o crime ou, obtido a imagem já modificada. 

O responsável por isto acreditou que jamais alguém descobriria tratar-se de uma página corrompida de um atlas chileno. Afinal, a primeira edição do livro de Pinho data de 1942 e, provavelmente desde então, esta imagem tem sido aceita como sendo do Cassino, até mesmo pelos cariocas. Assim, foi reproduzida em outras obras como trabalhos acadêmicos e livros de respeitáveis autores, sérios, que pesquisam em produções consolidadas na literatura, como é o caso de "Salões e Damas do Segundo Reinado", com edições de 1942 a 2004.

Mas, veio a internet e cada dia fica mais fácil flagrar este tipo de embuste, coisa que, há 10 anos, não seria possível pois, para obter informações dependíamos da leitura de livros como este, do Pinho, teoricamente, acima de qualquer suspeita.

Gosto de pensar que toda a pesquisa desonesta um dia é desmascarada. Que textos escritos por uma pessoa e publicados em nome de outra serão flagrados, que plágios serão escancarados, colagens serão expostas. Talvez, muitas corrupções passem impunes pela história, mas, cada uma que é descoberta torna-se uma vitória da verdade.

Em breve publicarei um texto completo com mais detalhes sobre esta fraude histórica que, agora, foi desmascarada.


Figura 1 - Imagem do Atlas de la historia física y política de Chile, publicado por Claude Gay, em 1854. Pintura de 1826 do pintor F. Lehnert, em comemoração do aniversário da independência do Chile, que ocorrera em 1818.
http://www.memoriachilena.cl/602/w3-article-98717.html




Figura 2 - Foto do livro "Salões e Damas do Segundo Reinado", de Wanderley Pinho, edição de 1970, mostrando a página com a suposta imagem de um Baile no Cassino.
Fonte: A autora, foto tirada em 30 de agosto de 2012.


9 de agosto de 2012

Samba de Gafieira X Samba Fankeado

O primeiro artigo do Volume 2 da obra "200 anos de dança de salão no Brasil", intitulado "Samba de Gafieira X Samba Fankeado", trata de uma questão terminológica e conceitual. 
O autor, Marco Antônio Perna, aborda algumas questões históricas como por exemplo, a razão pela qual o Samba, no salão, é de Gafieira, e os motivos pelos quais recebeu tal denominação. O artigo, como o padrão do autor, muito bem escrito, traz à pauta, novamente, problemas relacionados à terminologias e seus conceitos, deixando clara a necessidade de que cada termo tenha uma conceituação ou definição própria no âmbito da Dança de Salão. Vale a pena ler.

6 de agosto de 2012

Marco A. Perna lança mais dois volumes da obra por ele organizada, 200 anos de dança de salão no Brasil


Recebi há dois dias os volumes 2 e 3 desta importante obra. Os livros estão muito bem organizados e contam com autores que apresentaram trabalhos de excelente qualidade. Nos próximos dias comentarei alguns artigos.

Confira em: http://www.pluhma.com/loja/livros.danca 

2 de agosto de 2012

Dissertação de mestrado traz estudo sobre o Zouk

Este ano foi concluída mais uma dissertação de mestrado: “Dança Zouk: trajetórias do aprendiz”, autoria de Isabel Costa Willadino, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Faculdade de Educação, Programa de Pós-graduação em Educação. A pesquisa de 169 páginas objetivou descrever e estudar a orientação do aprendiz a partir da atuação do professor, contando com 23 adultos iniciantes entre 19 e 61 anos de idade. A autora apontou 66 referências bibliográficas em sua pesquisa, 12 sobre dança de salão e 17 sobre outras modalidades de dança. 


Entre elas destaco:


Perna, Marco Antonio. Samba de Gafieira: a história da dança de salão brasileira. Rio de Janeiro: O autor, 2001.
Ruthes, Sandra. Música para Dança de Salão. Curitiba. Protexto, 2007.
Zamoner, Maristela. Dança de salão: a caminho da licenciatura. Curitiba. Protexto, 2005.
Zamoner, Maristela. Sexo e Dança de Salão. Curitiba. Protexto, 2007.


Confira em: https://www.repositorioceme.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/49841/000850593.pdf?sequence=1

30 de julho de 2012

Bibliografias utilizadas na pesquisa em Dança de Salão


Em uma das várias trocas de e-mails com o colega Marco Antônio Perna, surgiu-nos a dúvida sobre a literatura de Dança de Salão mais utilizada na pesquisa científica da área. Esta curiosidade levou-me a uma investigação que foi publicada ontem. Destaco das conclusões:

 

·         O livro mais citado é “Samba de Gafieira, a história da Dança de Salão Brasileira”, de Marco Antonio Perna, cuja primeira edição é de 2001 e a segunda de 2005. Em segundo lugar, um livro cujo público alvo é muito mais restrito, professores: “Dança de Salão a caminho da licenciatura”, de Maristela Zamoner, única edição até agora, datando de 2005;

·         Constatou-se que a maioria dos trabalhos científicos produzidos na área da dança de salão não contam com nenhum livro de Dança de Salão em suas referências bibliográficas, o que sugere possível carência de embasamento teórico dos autores ou de títulos;

·         São utilizados, como referências bibliográficas, textos de dança esportiva, danças de outras modalidades e estrangeiros, o que sugere ainda possível desconhecimento das distintas conceituações nacionais de dança de salão, bem como das peculiaridades brasileiras. Esta constatação revela que a conceituação de dança de salão ainda é confusa na literatura;

·         É importante que os pesquisadores apropriem-se e valorizem os conteúdos dos livros e textos de cunho científico brasileiros para que a pesquisa nacional solidifique-se com base em fontes compatíveis com a natureza do objeto de estudo;

·         A falta de conhecimento do embasamento teórico apropriado pode resultar em produtos científicos de dança de salão passíveis de distorções, por fundamentarem-se em fontes que não condizem com a realidade brasileira e técnica desta arte.

 

Confira em: http://www.efdeportes.com/efd171/danca-de-salao-na-producao-cientifica.htm

 

Os resultados desta pesquisa despertaram-me o desejo de investigar as características históricas da Dança de Salão que são importantes para que uma definição exclusiva seja construída e comparada com conceitos a serem propostos para as danças que com ela são confundidas.

 

Esta pesquisa está em fase de revisão e logo deve ser publicada.

17 de julho de 2012

Novo artigo na Revista Dança em Pauta: “A dança do albatroz”

Hoje, 17 de julho de 2012, a Revista Dança em Pauta publicou um artigo que mostra o lado masculino do poder transformador da dança de salão.


Confira em: http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/a-danca-do-albatroz/

 

9 de julho de 2012

Pós-graduação em Dança de Salão contribui em tese de doutorado

Este ano, RODRIGO LUIZ VECCHI torna pública sua tese de doutorado intitulada “O ensino da Dança de Salão pautado na teoria do “Teaching for Understanding””, desenvolvida no programa de Doutorado em Educação Física da Universidade São Judas Tadeu.

O trabalho, orientado pela Dra. Vilma Leni Nista Piccolo, traz discussões envolvendo a literatura atual no que tange ao ensino e pesquisa em Dança de Salão. É uma das raras teses na área, portanto, sua leitura é obrigatória para quem ensina e pesquisa.

Surpreende positivamente o fato de que o autor fundamentou-se em artigos científicos derivados da pós-graduação lato sensu na área de Dança de Salão da Faculdade Metropolitana de Curitiba, FAMEC, coordenada por Gracinha Araújo. Alguns que, poucos meses após publicados, já se estabeleciam como referências para outros trabalhos acadêmicos e artigos, como:

·         ZAMONER, M. Dança de Salão e publicações em eventos científicos, um recorte. Revista Digital, Buenos Aires, ano 15, n. 152, 2011.
·         ZAMONER, M. Dança de Salão: uma análise dos registros de livros na Fundação Biblioteca Nacional. Revista Digital, Buenos Aires, ano 15, n. 151, 2010.

Estes 2 (dois) artigos científicos fazem parte de um conjunto de 5 (cinco), que foram produzidos a partir de uma das monografias defendidas na referida pós-graduação da FAMEC. O autor fundamentou-se ainda em mais um trabalho, também relacionado a esta pós:

·         ZAMONER, M. Especialização em dança de salão (Faculdade Metropolitana de Curitiba – FAMEC): análise das apresentações de monografias da primeira turma.  Movimento & Percepção, Espírito Santo do Pinhal, v. 8, n. 11, 2007b. 207

Interessante notar que ainda outras quatro referências da mesma autora foram utilizadas pelo autor.

Nota-se, por esta e outras produções que, dia após dia, as pesquisas em Dança de Salão vêm se aprofundando, as literaturas consolidam-se e o campo do conhecimento se solidifica.

Nesta caminhada, algumas iniciativas têm destaque positivo, uma delas é a Pós-graduação na área da Dança de Salão, coordenada por Gracinha Araújo.

Confira em:
http://www.usjt.br/biblioteca/mono_disser/mono_diss/2012/190.pdf