9 de setembro de 2013

Oito Tempos, uma rara história de sucesso!

Lembro bem de alguns detalhes do princípio desta história de sucesso. Um começo desbravador, em uma cidade cheia de resistências e vícios de um passado repleto de nuances não tão coloridas na Dança de Salão.

Minha memória não deixa esquecer a garra de Cristiano Alcântara, colega de longa data e diferentes empreitadas, que viu muito além, soube refazer o conceito de "impossível" para a cidade e fez acontecer. Um jovem acima de tudo com sentimentos nobres, bons valores. Um dos momentos em que demonstrou isto foi quando minha família, há quase uns vinte anos, viveu alguns de seus primeiros dias mais pesados e precisou de doadores de sangue. Cristiano se mobilizou como poucos para ajudar, mesmo que isto tenha significado uma aventura de kilometros e kilometros trilhados com nossos carros cheios de doadores. Bons valores trazem bons resultados. Sem dúvida não esteve sozinho, soube cercar-se dos perfis mais acertados, a começar por seu irmão Giuliano. Assim, uma empreitada que saiu de uma ideia desacreditada por muitos, é hoje um império no meio da Dança de Salão.

Enquanto a maioria das empresas que abrem no Brasil fecham em menos de 5 anos, a Oito Tempos chega aos 10 anos com um crescimento notável, sete unidades em dois estados e planos para o futuro. Neste tempo muitas escolas abriram, fecharam e outras continuaram esforçando-se por mais de 10 anos para manter uma porta aberta em um bairro de Curitiba.

Um bom tema de pesquisa é a descoberta dos segredos deste sucesso. Mas, sem dúvida este grupo de pessoas brilhantes e verdadeiras soube se organizar. Houve inteligência desde o início para agregar pessoas competentes como professores, como dançarinos e como seres humanos. Pessoas empreendedoras, com garra, determinação, envolvidas com o estudo honesto da Dança de Salão e capazes de transpirar realização a cada movimento. Outra característica que vejo na Oito Tempos é de se estabelecer de forma acolhedora, sempre respeitando o que tem qualidade, mesmo que em outras linhas. Poucos tem esta capacidade.

Todos, temos a obrigação de reconhecer este precioso sucesso. Não é coincidência que neste grupo de vencedores existam pessoas como Cristovão Christianis e Sheila Santos, que exalam competências múltiplas. São capazes de criar coreografias lindas, trazer momentos de arrepio ao público, distribuir leveza amolecendo a rigidez de uma cidade que nunca foi fácil para nenhum empreendedor da arte. Não estão sozinhos e prefiro não me arriscar a citar todos que fazem parte desta linda caminhada, o risco de esquecer nomes importantes é grande, afinal, são muitos.

E não para por aí, estes dois últimos ícones tem outras competências que certamente fazem parte dos resultados de sucesso que alcançaram. Ambos escrevem com sabedoria e generosidade, chegando com suavidade em pontos perigosos, revelando astúcia na compreensão e articulação de conhecimentos, o que é possível com aguçada capacidade de leitura, outra raridade na Dança de Salão. Isto é fundamento, indispensável para que uma porta de sala em certa cidade provinciana se transforme em sete portas de muitas salas em dois estados.

O resultado só poderia ser este, de uma contribuição notável para Dança de Salão. Particularmente, deixo aqui minha homenagem aos três ícones desta empreitada, que conheço de uma forma um pouco mais aproximada, Cristiano, ser humano raro, pela iniciativa desbravadora e corajosa, Cristovão, brilha como coreógrafo, dançarino, professor e ainda é um parceiro de pesquisas e conselheiro importante sobre o estudo da Dança de Salão, Sheila, uma mulher inspiradora dos pés à cabeça. Sabem ir muito além da competência no palco e no salão. A vocês, meu reconhecimento e o registro de minha profunda admiração.

3 de setembro de 2013

Blog Todo Composto, um presente para a Dança de Salão

Atualmente, a facilidade em se criar um "blog" tem fomentado o surgimento de uma quantidade grande de iniciativas voltadas à disponibilização de textos.

Entretanto, é fato que raros são os conteúdos de qualidade e bem escritos à disposição do leitor. Sem falar na quantidade enorme de blogs que subsistem copiando conteúdos. Curiosamente, parece que existem mais "escritores" do que "leitores" no Brasil, como ouvi os editores da Editora Protexto analisarem recentemente. A Dança de Salão não foge desta realidade. Muitos blogs, muitos fóruns e raras iniciativas oferecendo bons conteúdos, sabiamente colocados, verdadeiramente originais e bem escritos.

Ainda nota-se que a literatura tradicional não cobre todos os assuntos que envolvem a Dança de Salão. Por isto, iniciativas não científicas acabam assumindo um papel especialmente relevante como fonte para pesquisas na área.

É o que temos visto ocorrer com a Revista Dança em Pauta, cujas citações de seus artigos tem crescido em trabalhos acadêmicos e outros textos.

Recentemente conheci outra iniciativa que tem disponibilizado conteúdo de qualidade e bem escrito, trata-se do Blog Todo Composto. A criadora do espaço é Keice Granzotto Casarri, que registra sua formação como especialista em gestão de marketing e comunicação, pós-graduada em Comunicação e Marketing pela Faculdade Cásper Líbero e Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda.

Keice tem trazido diversos textos muito bem escritos sobre os assuntos mais variados e interessantes a cerca da Dança de Salão. Para quem vai um pouco além das pistas, é uma fonte de informações originais e conhecimentos relevantes. A autora ainda traz um alerta sobre plágio que é perfeitamente pertinente na atualidade. Deixo aqui meus parabéns à Keice pela iniciativa que se destaca pela originalidade, qualidade textual e relevância de conteúdos.


Entre Flores de Mimulus

Hoje, disponibilizo novo texto "Entre Flores de Mimulus", sobre as impressões trazidas pelo espetáculo 'Entre', da Mimulus Cia de Dança. Mais um momento mágico.

A publicação é de 3 de setembro de 2013, pela Editora Protexto.

Confira aqui!


26 de agosto de 2013

Mimulus encanta com uma gravidez no palco

Dia 24 de agosto a Mimulus Cia de Dança trouxe ao palco do Guairinha o espetáculo 'Entre', presenteando Curitiba com uma ternura encantadora. 

A companhia foi surpreendida com um acidente que impediu a dançarina Paula Pazos de prosseguir. 

O profissionalismo indiscutível da equipe manteve o espetáculo previsto também para o dia 25 de agosto, trazendo ao palco Juliana Macedo, grávida de cinco meses, razão pela qual encontrava-se temporariamente afastada dos palcos. 

Jomar Mesquita revelou uma capacidade incrível de dominar situações adversas e ainda cuidar de uma linda mamãe que mostrou-se perfeitamente pronta para abrilhantar o espetáculo, encantando a plateia que, de pé, exigiu consecutivos agradecimentos de toda a equipe.

Desejamos um pronto restabelecimento a Paula Pazos e o mais breve retorno aos palcos.

Parabéns a Mimulus Cia de Dança e a Jomar Mesquita, além de brindarem a cidade com mais um espetáculo capaz de colocar o sangue em ebulição, escancararam um profissionalismo raríssimo no Brasil.

E, por fim, que esta nova vida já capaz de nos enternecer nos palcos da dança, traga para mamãe Juliana e sua família as merecidas emoções do espetáculo de sua vinda para os palcos da vida.

21 de agosto de 2013

Confirmado Espetáculo 'Entre' em Curitiba, Mimulus Cia de Dança

O espetáculo 'Entre' da Mimulus Cia de Dança está confirmado. Veja a os detalhes sobre a peça e a venda dos ingressos.

Os lugares não são marcados e os valores são: Inteira: R$20,00; Meia-entrada: R$10,00; Cartão Teatro Guaíra: R$18,00; Gazeta do Povo: R$18,00; Colaborador O Boticário: R$18,00. 

Meia entrada: A meia entrada valerá para carteiras de estudante acompanhadas por identidade e no prazo de validade, pessoas acima de 60 anos comprovados com identidade, doadores de sangue com carteira de comprovação, professores com identificação docente e identidade e deficientes físicos.

Outros descontos não cumulativos: 10% de desconto sobre o valor da Inteira para: Cartão Teatro Guaíra; Clube do Assinante Gazeta do Povo; Colaborador O Boticário.

Pagamento: Dinheiro, cartão de débito e crédito.

Pontos de venda: Shopping PalladiumShopping Estação; Shopping Mueller, Bilheteria Teatro Guaíra e pela internet: www.diskingressos.com.br.

Conforme divulgação do Teatro Guaíra:

ENTRE

MIMULUS CIA. DE DANÇA

O espetáculo reflete alguns dos significados que essa palavra possa sugerir, seja por denotar um território fronteiriço ocupado pela Mimulus Cia de Dança e que tem propiciado grande estímulo às suas inovações, seja como um convite para estreitar relações. Portanto, atravessa as questões da identidade e do encontro. 


Nas coreografias, a perspectiva do encontro é traduzida por uma presença maior de duos. Quanto à identidade, a Cia procura-se em lugares de criação, entre a dança de salão e a dança contemporânea, um não-lugar que atinge os dois mundos.

O espetáculo se desenvolve em zonas de contatos, tanto em termos materiais e estéticos quanto aos aspectos emocionais e simbólicos.


ENTRE pode ser entendido também como um convite para o espectador se deixar tomar por um espetáculo traçado pelo carinho de todo o Grupo. 


16 de agosto de 2013

Mimulus em Curitiba, imperdível

Curitiba receberá a Mimulus Cia de Dança nos dias 24 e 25 de agosto de 2013, no Teatro Guairinha, com o espetáculo “Entre”.

A Mimulus Cia de Dança presenteia o público com um trabalho único no país, digno da repercussão internacional de alto nível que galgou ao ponto de merecer a atenção de periódicos cuja influência é mundial, por exemplo, The New York Times (EUA), Times Union (EUA), Le Figaro (França).

A crítica mineira sobre o espetáculo não deixa dúvidas sobre sua qualidade:
“Os movimentos de ‘Entre’ chamam a atenção para zonas de contato possíveis no corpo e é difícil não reconhecer a ousadia das criações”;
“’Entre’ instiga os espectadores a buscarem significados para cada elemento posto em cena”; 
“As fronteiras com a dança contemporânea foram ultrapassadas e o novo trabalho coloca os bailarinos na, por vezes desconfortável, zona do descobrimento. O público passa a ser cúmplice dessa entrega abstrata” 
Por Carolina Braga (Estado de Minas).


Impressionante como a leitura dessas críticas se compatibiliza com a sensação que se vive ao apreciar a força do trabalho da Mimulus, que nos leva literalmente às "Confissões sobre o ponto G da Dança de Salão".

A apreciação do espetáculo "Entre" é obrigatória para todo profissional da Dança de Salão curitibano. 

Para praticantes é uma rara oportunidade de conhecer um exemplo perfeito de "Transposição da linguagem coreográfica dos salões para os palcos". 


Para o cidadão curitibano que entende o valor da cultura genuinamente brasileira é uma excelente oportunidade de viver algo novo e intensamente inspirador. 


Imperdível!


Saiba mais sobre o 
espetáculo 'Entre':
Roteiro Musical

Adquira seu ingresso:
(041) 3315-0808

Fonte das imagens: 
Galeria de fotos espetáculo 'Entre'.


12 de agosto de 2013

Novo artigo: Conduzir e mandar, histórias diferentes

Civilidade e Dança de Salão, suas histórias se cruzam de forma muito mais intensa do que imaginamos... Esta arte e a esfera histórica que desenhou as relações sociais entre cavalheiros e damas, se retomadas, podem nos trazer a redescoberta de caminhos para um mundo mais civilizado.

Compartilho com vocês um pedacinho desta pesquisa, para quem aprecia a Dança de Salão e valoriza um mundo de respeito mútuo e boas relações entre homens, mulheres e nações!


Agradeço especialmente à Revista Dança em Pauta e a Keyla Barros, pelas belíssimas ilustrações escolhidas para o texto, e por todo carinho que sempre têm para preparar cada artigo. 

Algumas das ilustrações escolhidas fazem parte da mesma coletânea, Bon Genre, da qual selecionamos a figura da capa do livro Dança de salão: conceitos e definições fundamentais.





Confira o artigo na íntegra: Conduzir e mandar, histórias diferentes

11 de agosto de 2013

Todo tango, pioneirismo em Curitiba

Hoje podemos dizer que Curitiba tem uma excelente casa de tango para se apreciar esta dança de repercussão mundial.

O local é minuciosamente planejado. Os pontos das caixas de som foram escolhidos pensando em não atrapalhar a conversa de quem apenas assiste à dança. O piso é perfeito para dançar e o salão nunca fica demasiadamente lotado porque a quantidade de pessoas é controlada. Há obras de arte pelas paredes, retratos de lindas cenas de dança por Luiz Gustavo Cobellache, um dos sócios. Ainda é possível apreciar vinho e alguns sabores típicos da Argentina. 

O ambiente é notadamente aconchegante e preparado para receber o tango de salão em seu melhor nível. Por esta razão o local é frequentado também por experientes milongueiros argentinos. 

Diversas reportagens vem aparecendo na mídia espontânea, afinal, o estabelecimento chama a atenção legitimamente por ser um autêntico ponto de disseminação cultural e de entretenimento*.

Vania Andreassi, sócia idealizadora da casa, é uma profissional que trabalha com o tango em Curitiba há décadas. Sua experiência com esta dança inclui incontáveis vivências em Buenos Aires e na França, sólido entendimento musical e técnico, premiações nacionais como dançarina, produção de programas de televisão e rádio, docência em turmas de alunos particulares, em grupos e oferecimento de milongas caracterizadas por excelente nível. 

Vania conta que se especializou no ensino de cavalheiros e na prática de tango para salão, focos sobre os quais vem desenvolvendo um trabalho pioneiro. Sem dúvida é uma das referências em tango de salão mais sérias da cidade, se não a mais.

Aos que apreciam o tango, seja no âmbito que for, a visita ao local será uma forma de sentir seu clima mais original. 

Quem está conectado com os acontecimentos na esfera da Dança de Salão tem passagem obrigatória em Todo Tango, ponto que não passa desapercebido nem por profissionais da área. 

E quem gosta de viver o que a cidade oferece em sua diversidade cultural também deve dar-se a oportunidade de desfrutar do delicioso e diferenciado ambiente criado para atender bem. 

Qualquer que seja o público, sem dúvida terá momentos de deleite e apreciação de artes encantadoras em um ambiente delicadamente preparado para pessoas de bom gosto.

Vale a pena conferir.

Mais informações em: 




3 de agosto de 2013

Mimulus, um doce gigante

Em 17 de julho estive na Mimulus, Belo Horizonte, Minas Gerais, ministrando a palestra de lançamento do livro “Dança de Salão: conceitos e definições fundamentais”. Quando recebi o convite de Jomar, ainda ano passado, lembrei imediatamente de tantas coisas incríveis que lá vira anos antes, por ocasião de outra palestra. Hoje, continua impossível não notar que a chama cultural crepita por ali com muita intensidade.


Lembremos por um momento que neste espaço funciona a Associação Cultural Mimulus, Mimulus Cia de Dança e Mimulus Escola de Dança. Sem dúvida ali se cria um produto artístico genuinamente brasileiro, nas palavras de Jomar Mesquita, resultado da “transposição da linguagem coreográfica dos salões para os palcos”. Não tenho receio em afirmar que este trabalho é o único no país com repercussão internacional de alto nível, ao ponto de merecer a atenção de periódicos cuja influência é mundial, por exemplo, The New York Times (EUA), Times Union (EUA), Le Figaro (França) entre muitos outros incluindo os nacionais.


Neste espaço mágico, fui recebida muito carinhosa e atenciosamente por Jomar, Baby (mesmo à distância), e Fábio. Foram pouquíssimas horas, mas, houve tempo de compartilhar ideias, ouvir gente jovem como Míriam Medeiros Strack trazendo mais propostas ousadas e revolucionárias sobre condução e também de conhecer pessoalmente Tiago Tonial, cavalheiro que já havia me conquistado com sua frase “...se existe uma pretensa vantagem do homem, essa vantagem virá da subserviência no sentido de obrigação de satisfazer a mulher”, referindo-se ao cavalheiro e a dama no salão. 

Naquele ambiente, não pude deixar de reparar um detalhe quase imperceptível, um pequeno quadrinho, no corredor que dá acesso ao banheiro. Bem, o quadrinho tinha uma gravura de uma das obras de arte de Fernando Botero, um artista colombiano que há muito me encanta. Botero nos arremessa para a realidade da Dança de Salão que vai além das aparências físicas. Mas, reforço, era apenas um detalhe entre uma miríade de outros.

A primeira vez que estive na Mimulus, já há vários anos, me surpreendi com uma apresentação maravilhosa na qual dois homens dançaram juntos mascarados, de preto dos pés à cabeça. Desta vez, vi dois homens fazendo aula juntos, com a naturalidade que devia haver em toda sala de aula, afinal, é dança.

Para minha mais absoluta surpresa, serviram frutas no intervalo. Confesso que nunca tinha visto isto em um curso de danças. Fantástico. Para completar, copos de vidro a favor de um ambiente mais limpo.


As paredes estampam a vida da Mimulus. A cada quadro, uma história, um envolvimento, uma beleza, uma paixão, uma saudade. É preciso estar ali para sentir, para respirar e perceber a garra de uma família que defende a cultura do país indo além de seus limites. Uma família, que como a minha, aposta suas energias na cultura brasileira, fazendo florescer consigo mais e mais talentos daqueles que decidem caminhar junto.

Antes de voltar, senti aquela saudade antecipada. E cheguei leve, trazendo mais uma vez a indescritível admiração e respeito por este brilhante, genial, gentil e encantador doce gigante que é a Mimulus.






Citações:

Mesquita, Jomar. Transposição da linguagem coreográfica dos salões para os palcos - Dança de salão como arte. In: Perna, Marco Antonio (org). 200 anos de Dança de Salão no Brasil. Volume I. Amaragão Edições de Periódicos. Rio de Janeiro. 2011.

Strack, Míriam Medeiros. Dama ativa e comunicação entre o casal na dança de salão: uma abordagem prática. Monografia. Especialização em Teoria e Movimento da Dança com Ênfase em Danças de Salão da Faculdade Metropolitana de Curitiba. 2013.

Tonial, Tiago. Dança de salão e lazer na sociedade contemporânea: um estudo sobre academias de Belo Horizonte. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional, 2011.

12 de julho de 2013

Livro "Dança de Salão, conceitos e definições fundamentais" - LANÇAMENTO

O livro "Dança de Salão, conceitos e definições fundamentais", que encontra-se em lançamento virtual no site da Editora Protexto: http://www.protexto.com.br/livro.php?livro=565, foi formalmente lançado no dia 17 de julho na 12a. Semana da Dança, organizada pela Associação Cultural Mimulus (Belo Horizonte/MG), por meio de uma  palestra que recebe o mesmo título do livro: http://mimulus.com.br/associacao-cultural-mimulus/semana-da-danca/

A obra tem como finalidade discutir e sugerir conceitos ou definições para: Dança de Salão, Salão de Dança, Dama, Cavalheiro e Condução.

A sugestão de uma definição para a Dança de Salão passou pela discussão dos conceitos de outras danças que com ela são confundidas, como Dança Social, Dança Popular, Dança Erudita, Dança Esportiva, Dança Cênica entre outras. Estas propostas de conceitos contaram com a contribuição de colocações textuais (artigo) feitas por Jomar Mesquita e proposições de Cristovão Christianis, este último, um grande parceiro com quem já publiquei um artigo sobre Bolero em 2011. Foram reconhecidas 10 características históricas ou técnicas que permitem definir Dança de Salão com exclusividade em relação a outras danças e, a partir delas, fez-se uma proposta de definição.

A proposta de conceito para Salão de Dança baseou-se principalmente em análises de diversas obras de artes plásticas sobre bailes, produzidas ao longo de séculos. Várias destas obras são apresentadas no livro.

Os conceitos de Dama e Cavalheiro foram construídos a partir de experiências pessoais, estudos etimológicos e históricos contextualizados na Dança de Salão. Um autor cuja obra contribuiu de forma importante neste âmbito foi Tiago Tonial.

Por fim, a discussão para proposição de um conceito para Condução agregou a análise de textos de três principais autores. Dois Cavalheiros, Jonas Karlos S. Feitoza, Marco Antonio Perna e uma Dama, Sheila Santos.

Autores que também foram escolhidos e citados devido a suas importantes contribuições para os estudos trazidos neste livro foram, entre outros: Milton Saldanha, Andréa Moraes Alves, Leonor Costa, Katiusca Dickow, José Jaime, Betina Ried, Mariana Massena, Victor Andrade Melo, Leonardo Perin, Wanderley Pinho, Lilia Moritz Schwarcz, Maria Inês Galvão Souza, Janete Leiko Tanno.

Neste momento, agradeço especialmente aos apoiadores que revelaram apoiar verdadeiramente a Dança de Salão e o que a valoriza. Cada um deles foi convidado por, de alguma forma, trazer contribuições relevantes para a Dança de Salão nacional ou local. A
 eles meu agradecimento:



1.   DANÇA EM PAUTA - PR
http://www.dancaempauta.com.br/
2.  MIMULUS - Dança de Salão - MG
http://mimulus.com.br/escola-de-danca/a-escola/
3.   AJODS - Associação Joinvilense de Dança de Salão - SC
http://www.ajods.org.br
4.  JORNAL FALANDO DE DANÇA - RJ
www.jornalfalandodedanca.com.br
5.  JORNAL DANCE - SP
http://www.dancadesalao.com/jornaldance/
6.  OITO TEMPOS - Dança de Salão - RS
www.oitotempos.com.br
7. ANDANÇAS - Associação Nacional de Dança de Salão - RJ
http://dancecom.com.br/andancas/
8.  THEO & MÔNICA - SP
www.theoemonica.com.br
9.  CASA DE DANÇA LA BARCA - PB
www.casadedancalabarca.com.br
10. CONEXION CARIBE - Núcleo de Cultura Latina - SP
www.salsa.com.br
11. DANCE SEMPRE - Espaço Cultural - PR
www.dancesempre.com
12. SANDRA RUTHES - Dança de Salão - PR
www.sandraruthes.com.br
13.  STUDIO WELLNESS - Dança e Qualidade de Vida - SP
http://www.studiowellness.com.br
14. GESTUAL - Dança de Salão e Eventos - PR
http://www.gestualdanca.com.br/
15. CIDO ARRUDA Dança de Salão - PR
www.cidoarruda.com.br

O convite ao lançamento fica aberto a todos que tem interesse pelo tema.


Saiba mais: http://www.dancaempauta.com.br/site/noticias/mas-afinal-o-que-e-danca-de-salao/


Confira outras obras da autora em: http://www.protexto.com.br/autor.php?c=La&autor=55






30 de maio de 2013

6000 cubanos podem dançar

Tenho acompanhado nosso governo federal mobilizando-se para trazer 6000 médicos cubanos para o Brasil. Trata-se de uma "vontade" governamental, aliás, termo muito bem aplicado pelo presidente do Conselho Regional de Medicina do Estado do Amazonas (CRM-AM), Jefferson Jezzini. Esta "vontade”, certamente é motivada por valores diferentes da boa medicina que deveria ser devolvida ao pagador de impostos. Por isto, nosso governo quer passar por cima da avaliação que condiciona a atuação de médicos estrangeiros no país, chamada Revalida.  Imagino que, assim, teremos 6000 médicos cubanos atuando no Brasil sem atender às exigências da legislação brasileira e, naturalmente, sem concurso público também. Se Aluísio Mercadante, nosso ministro da educação, acha a prova de revalidação “difícil”, vai considerar o concurso público também meio complicado. Por alguma razão, este tipo de ideia vinda do governo brasileiro atual, não me surpreende.

Quando li hoje o link compartilhado por alguns médicos no Facebook, intitulado Médicos cubanos: CRM-AM desafia decisão do governo federal sobre exame de Revalida", surgiu-me uma ideia para resolver definitivamente este problema: Dança de Salão. Aliás, acredito realmente que esta arte tem muito a contribuir em variados aspectos sociais, como uma potente força civilizatriz.

Os cubanos são muito bons na dança. Muito bons mesmo. Então, sugiro ao governo brasileiro que faça um pequeno ajuste nesta ideia de trazer os 6000 cubanos ao nosso país. Invés de coloca-los atuando como médicos, eles poderiam ser espalhados por escolas de dança do Brasil, ou mesmo escolas regulares e projetos sociais ou governamentais para ocuparem nossos jovens e crianças que não podem exercer ofícios antes dos 18 anos. Assim, poderiam ensinar danças como a Rueda de Casino*, o Son cubano relacionado à Salsa e o que mais tiverem de bom a oferecer e, nesta área, certamente tem. Isto ainda movimentaria a cultura brasileira que se veria obrigada a trabalhar para conservar as próprias raízes, o que seria muito produtivo e animador.

Acredito que nestas danças muitos cubanos sejam melhores que boa parte dos brasileiros. Até imagino um baile enorme, com uma Rueda de Casino gigante, com 6000 participantes, logo na recepção deles. Seria um evento único no mundo, de muita alegria, poderíamos até ir para o Guinness Book por uma razão realmente incrível!

*Veja o que é uma Rueda de Casino aqui: 


28 de maio de 2013

Dança de salão e suas origens. Da Colônia à República, de Cordeiro e Araújo

Em janeiro de 2013 é publicado o artigo: "Dança de salão e suas origens. Da Colônia à República", da autoria de Jailson Cordeiro e Ivan Araújo, na Revista Digital EFDeportes.com número 176. 

O artigo traz certa revisão de literatura a partir de algumas referências sobre o assunto. Reforça em suas conclusões, com muita propriedade, que há muito a ser pesquisado e estudado, já que existem poucos materiais disponíveis para pesquisa.

Confira em: http://www.efdeportes.com/efd176/danca-de-salao-e-suas-origens.htm

24 de maio de 2013

Escolas de Dança de Salão curitibanas - Dance Sempre

Espaço Cultural Dance Sempre
Recepção
Depois de muitos anos como professora, ministrando cursos e palestras pelo Brasil, já tendo vivenciado inúmeras situações de palco e de salão, trabalhado na publicação de livros e artigos sobre Dança de Salão, minha vida profissional, que inclui a prestação de consultorias ambientais, exigiu viagens que me impediam de continuar ministrando aulas regularmente. Desativei o estúdio que disponibilizava para dar aulas e continuei com as pesquisas e publicações, factíveis em horários flexíveis.

Então, eis que me vi na situação particular de meu marido querer aprender a dançar e pedir minha companhia em aulas iniciantes. Assim, consideramos que seria uma boa procurar escolas para experimentarmos juntos algumas aulas iniciantes. Rapidamente a primeira oportunidade apareceu.

Espaço Cultural Dance Sempre
Salas de aula em dois andares
Recebi a divulgação de um curso de Roda de Cassino do Espaço Cultural Dance Sempre, que conheço de longa data e aprecio o fato de ser eclético quanto às linhas técnicas. Achei uma alternativa interessante também para alguém que vai começar os primeiros contatos com a Dança de Salão. 

A Roda de Cassino é divertida e agitada, logo, ainda nos permitiria retomar uma atividade física nos períodos em que não estivéssemos viajando a trabalho. Conversei com meu esposo, ele gostou da ideia e ainda convidamos minha irmã, que também tem longínqua vivência com a Dança de Salão, mas, havia reduzido atividades dançantes nos últimos anos.

Nós três chegamos à escola e fomos muito bem recebidos pela sócia proprietária Maria Regina  Monticelli, dançarina brilhante, ganhadora de prêmios em âmbito nacional, professora dedicada e ainda autora de um trabalho incrível de dança com cegos. 

Fizemos a primeira aula, experimental, e nos matriculamos no curso de 20 aulas. Sempre somos carinhosamente recebidos pela proprietária que ainda mostra permanente atenção à atualização empresarial, artística e teórica, revelando total intimidade com os mais variados temas que envolvem o conhecimento sobre Dança de Salão.
Espaço Cultural Dance Sempre
Local para observação de aulas.
Note o detalhe interessante, à esquerda,
tronco de uma araucária que foi
preservada dentro da edificação.

O ambiente da escola é muito bonito, são várias salas, notavelmente amplas, arejadas, claras e bem cuidadas. 

Há um local interessantíssimo para observação de aulas, construído ao redor de uma araucária que está plantada no meio da edificação. Quando visitei Dance Sempre pela primeira vez, há vários anos, já achei isto incrível. 

A escola disponibiliza um estacionamento com um manobrista muito cuidadoso que facilita bastante a chegada e a saída.

Espaço Cultural Dance Sempre
Parte do estacionamento após a última aula do dia.
Desde que interrompi as aulas que ministrava recebo pedidos de ex-alunos por indicação de escolas para darem continuidade ao aprendizado. Como tive a oportunidade de conhecer um pouco mais de perto o funcionamento da Dance Sempre, reafirmo a indicação.






Mais informações em: http://www.dancesempre.com/



22 de maio de 2013

Sheila Santos e o silêncio na condução

Captura de tela do artigo "O diálogo dançante da dama contemporânea"
Revista Dança em Pauta, 20 de maio de 2013
Disponível em:
http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/o-dialogo-dancante-da-dama-contemporanea/



Esta semana a Revista Dança em Pauta publicou o artigo "O diálogo dançante da dama contemporânea", de Sheila Santos. O texto traz a experiência pessoal da autora em diversas fases de vivência como Dama, e até como Cavalheiro.

A mim, chamou atenção em particular a utilização do termo "silêncio" para referir-se a oportunidade que o Cavalheiro oferece à Dama para participação na arquitetura do momento dançado.

Há alguns anos venho trabalhando na construção de conceitos e definições fundamentais para a Dança de Salão, o que inclui arriscar-me a propor um conceito também para “Condução”. A parte mais fácil de abordar é a condução direta que um Cavalheiro faz para que uma Dama responda em forma de um movimento por ele previsto. A complexidade da condução começa na forma que a Dama responde e as consequências desta resposta para o Cavalheiro.

As duas principais referências de literatura nas quais vinha me apoiando para este trabalho eram:

Perna, Marco Antonio. Crônica: Dama boa não pensa... In: Perna, Marco Antonio [org]. 200 anos de Dança de Salão. Volume 2. Amaragão Edições de Periódicos. Rio de Janeiro. 2012.
Feitoza, Jonas Karlos S. Cocondução: procedimento corporal de comunicação relacional nas Danças de Salão. In: Perna, Marco Antonio [org]. 200 anos de Dança de Salão. Volume 2. Amaragão Edições de Periódicos. Rio de Janeiro. 2012.

Os dois autores, tanto Marco Antonio Perna quanto Jonas Karlos S. Feitoza discutem aspectos da condução em relação à participação da Dama no processo de criação improvisada da dança. Ambos referem-se precisamente a forma que a Dama se expressa e a influência que esta expressão traz para a condução do Cavalheiro. Sheila mostra o lado feminino que faltava para completar este estudo.

Acredito que Sheila tenha trazido uma contribuição bastante relevante propondo a palavra "silêncio", e inteligentemente pedindo por uma modernização da condução como um processo vivo.

Permitir maior participação da Dama durante a dança é um caminho sábio para enriquecer o diálogo e o “silêncio” de Sheila é mais que uma contribuição para a construção de um conceito, é um recado para Cavalheiros inteligentes.

Parabéns Sheila! 

Abordagem magnífica e sugestão necessária para o momento atual da Dança de Salão!





20 de maio de 2013

Milton Saldanha não errou sobre Madame Poças Leitão


Recentemente li um texto, e não foi o primeiro, afirmando que Milton Saldanha errou sobre Madame Poças Leitão ter iniciado o ensino de Dança de Salão do Brasil. O texto referia-se ao artigo de Milton Saldanha, “Há 80 anos nascia o ensino de Dança de Salão no Brasil”, publicado no Jornal Dance em 1995.
Entretanto, não acredito que o resultado de Saldanha seja errado para o método que utilizou em sua pesquisa. A exemplo de outros, seu método não incluía considerar o primeiro periódico impresso de São Paulo e nem do Rio de Janeiro. Justificável em um tempo no qual a internet não disponibilizava tanto quanto hoje.
Já o método utilizado para propor que Luis Lacombe deu início ao ensino oficial de Dança de Salão no Brasil incluiu a leitura do primeiro periódico impresso carioca, a Gazeta do Rio de Janeiro. Uma edição deste jornal, datada de 1811, traz o registro de um anúncio de aulas feito por Luis Lacombe (Costa, 2011). Possivelmente, outro método traria resultado diferente.
Isto vale para toda a pesquisa. Por exemplo, em 2012 Marco Antônio Perna publicou na página 109 do Volume 4 da obra por ele organizada “200 anos de Dança de Salão no Brasil”:

Pelos registros atuais endossado pelas notas do jornal “O Estado de São Paulo” o ensino da dança de salão em São Paulo começou com chicote de Madama Poças Leitão (Louise Frida Reynold Poças Leitão).

Esta pode ser uma afirmação correta para um método que utilizou o acervo do jornal O Estado de São Paulo, que começou a ser editado em 1875. Mas, segundo metodologia que inclui o primeiro periódico impresso da cidade de São Paulo, “O Farol Paulistano”, há alguns anos já disponibilizado pela Biblioteca Nacional para consulta digital via internet, Madame Poças Leitão não poderia ter começado o ensino de Dança de Salão em São Paulo. Em uma edição datada de 1831, o jornal traz o registro de Mr. Anjo Chaves anunciando aulas de dança e organização de bailes, portanto, quase um século antes dos registros de Madame Poças Leitão. Veja detalhes em: http://danca-de-salao-maristela-zamoner.blogspot.com.br/2013/05/em-1831-mr-anjo-chaves-anuncia-aulas-de.html.
Por isto Marco Antonio Perna errou? Não, ele registrou a informação que tinha encontrado pelos meios que escolheu utilizar para pesquisar, segundo os quais, sua conclusão está correta.
Meu entendimento é que nenhum dos dois, nem Perna e menos ainda Saldanha merecem ter seus textos julgados e condenados como “errados”.
Para mim, erro na construção do conhecimento é plágio, embuste, desrespeito à ética e qualquer atitude de má fé. E tudo que é feito com o desejo legítimo de contribuir é apenas a conclusão de certo método, jamais erro.
É íntegro respeitar as pessoas que tem coragem de produzir textos e publicá-los, expondo-se à crítica, a exemplo de Saldanha e também de Perna. A construção do conhecimento é um processo que tem em seu escopo o falseamento. Isto quer dizer que se auto aprimora, auto corrige ao longo do tempo. À medida que a pesquisa avança, acrescentar conclusões vindas de métodos mais abrangentes é parte do processo e é exatamente este o esplendor  da Ciência.
No conhecimento sobre Dança de Salão, praticamente tudo está em construção. Mais uma razão para primarmos pela cordialidade com nossos pares a cada texto que publicamos.



Referências bibliográficas citadas

Costa, Leonor. 200 anos de muitos bailes. In: Perna, Marco Antonio [org]. 200 anos de Dança de Salão. Volume 1. Amaragão Edições de Periódicos. Rio de Janeiro. 2011.

Perna, Marco Antonio. Pequena história da Dança de Salão na cidade de São Paulo. In: Perna, Marco Antonio [org]. 200 anos de Dança de Salão. Volume 4. Amaragão Edições de Periódicos. Rio de Janeiro. 2012.

Saldanha, Milton. Há 80 anos nascia o ensino de Dança de Salão no Brasil. Jornal Dance. Ano II.  nº. 4. Janeiro/fevereiro de 1995.

Zamoner, Maristela. Em 1831 Mr. Anjo Chaves anuncia aulas de dança em São Paulo. Dança de Salão – Maristela Zamoner. Curitiba. 2013. Disponível em: http://danca-de-salao-maristela-zamoner.blogspot.com.br/2013/05/em-1831-mr-anjo-chaves-anuncia-aulas-de.html.

Periódicos antigos disponibilizados em meio digital pela Biblioteca Nacional (http://hemerotecadigital.bn.br), Consultados em 17 de maio de 2013:

Gazeta do Rio de Janeiro. 13 de Julho de 1811.

O Farol Paulistano. 24 de fevereiro de 2013.

17 de maio de 2013

Em 1831 Mr. Anjo Chaves anuncia aulas de dança em São Paulo

Há muito tempo venho acompanhando uma discussão escrita sobre a atribuição do início das aulas de dança no Brasil à Madame Poças Leitão. Também à sugestão de que talvez a ela dever-se-ia atribuir o início destas atividades na cidade de São Paulo e não no Brasil.

Por curiosidade tentei localizar o primeiro periódico paulistano, imaginando que se alguém ministrasse aulas na cidade de São Paulo, poderia ter feito um anúncio. Encontrei "O Farol Paulistano". 

Segundo Carlos Eduardo França de Oliveira, no artigo ""O Farol Paulistano" (1827-1831): as luzes da política nos primórdios da imprensa em São Paulo" acessado em 17 de maio de 2013 (http://www.brasiliana.usp.br/node/775):

Marco inicial da imprensa periódica em São Paulo, 
o jornal O Farol Paulistano veio a público em 7 de fevereiro de 1827 
e encerrou suas atividades cerca de quatro anos mais tarde, 
pouco após a abdicação de D. Pedro.

Sem muitas esperanças comecei a procurar e para minha surpresa, de fato encontrei. Na página 1936 do número 455 de 24 de fevereiro do ano de 1831 há um anúncio de um professor de dança que se auto denomina "Mr. Anjo Chaves".


Página 1936 do primeiro periódico publicado na cidade de São Paulo, intitulado "O Farol Paulistano", com edições entre 1827 e 1831. Na parte superior direita há um anúncio de aulas de dança de sociedade ministradas por um professor que se auto denomina Mr. Anjo Chaves.

O anúncio completo informa:

" - Mr. Anjo Chaves Professor de Dança 
torna a participar ao respeitavel Publico, que
em sua caza rua de S. Bento n.6 da lições de
dança a todas as pessôas que de seu prestimo e
arte se quiserem utilisar: insina-se o que requer
uma educação cuidadosa, sendo a dança uma
qualidade que embelesa, e orna as pessôas civilizadas,
por ser o metodo Francez com que se propõe
a insinar, o mais seguido, e o mais adoptado
em todas as capitaes d´Europa, servindo não só
para o entretenimento que ministra a dança, como
para a polidez do porte, movimentos, atitudes
e maior civilidade. Tambem se compromette o
annunciante a dar lições por cazas particulares;
assim como a ensaiar, e dirigir bailes no melhor
gosto annunciado."


São muito curiosos os outros anúncios que se seguem e podem nos soar estranhos hoje, mas, parecem referir-se a escravos fugidos, afinal, era tempo em que a escravidão ainda existia oficialmente. Nos permitem sentir um pouco do que a sociedade da época vivia. Notemos o contraste, um anúncio falando em aulas de dança, educação cuidadosa, pessoas civilizadas, seguido por outros sobre fugas de escravos.

Ao rodapé da página lê-se: "S. Paulo. Na Typographia do Farol Paulistano: Anno de 1831."

Encontrei uma foto da Rua São Bento, Cidade de São Paulo somente datada do ano de 1887, portanto, 56 anos após o anúncio de Mr. Anjo Chaves. Mesmo com todo este tempo passado após o anúncio, a fotografia ainda mostra uma cidade no início de seu desenvolvimento.


Rua São Bento, cidade de São Paulo no ano de 1887.
Foto de Militão Augusto de Azevedo.
Acesso em 17 de maio de 2013.
http://veja.abril.com.br/blog/sobre-imagens/brasileiros/militao-augusto-de-azevedo/


Este registro é de 21 anos depois da data do início das aulas de dança no Rio de Janeiro, pelo professor Luís Lacombe, que, a mando de Dom João VI, teria vindo da Europa, conforme registra Leonor Costa no capítulo “200 Anos de Muitos Bailes!”, do Volume 1 da obra "200 anos de Dança de Salão no Brasil", organizada por Marco Antonio Perna e publicada pela Amaragão Edições de Periódicos em 2012Lembremos que neste ano, 1831, nem o Cassino Fluminense, no Rio de Janeiro, havia sido inaugurado. 

Seria ele, Mr. Anjo Chaves, o primeiro professor de danças de sociedade da cidade de São Paulo? Não há como ter certeza. Mas, se este professor anunciava aulas em 1831, a primeira professora não poderia ter sido Madame Reynold Poças Leitão, que segundo Marco Antonio Perna em seu capítulo intitulado "Pequena história da Dança de Salão na cidade de São Paulo", publicado na página 111 do Volume 4 da referida obra "200 anos de Dança de Salão no Brasil", iniciou suas aulas somente em 1915. 

Acredito que seja interessante aprofundar as pesquisas em periódicos antigos para identificação de outros possíveis nomes de professores de dança que fizeram parte da história da cidade de São Paulo antes de Poças Leitão.